terça-feira, 10 de março de 2009

ACONTECEU COMIGO

Veja o que está escrito:
é tudo o que eu disse desde o início
Gosto de contar e recontar
o que aconteceu comigo
Leia o que foi visto
Pense nisso
É o que eu diria se te visse
Gosto de pensar que tudo isso
Está no ar
Guarde os retratos, os recados
os registros
Se um dia qualquer
você se lembrar

domingo, 1 de março de 2009

RARE BOOKS AND MANUSCRIPTS

RARE BOOKS AND MANUSCRIPTS (Inglaterra, 2005, 12 min. Direção por Bruce Webb. Com Neve McIntosh, Alexander Giles e Ian Mosby)



Numa tranqüila biblioteca, a tímida Jess apaixona-se por um rapaz e, depois de conseguir "roubar" o número do cartão dele, começa a enviar para ele livros cujos títulos formam mensagens secretas. Mas Jess também anda recebendo livros de nomes estranhos, que também formam frases com sentido completo. E mais: se o seu muso tem uma namorada, que um dia vai buscá-lo na biblioteca, quem será o seu "admirador secreto"?

rare books and manuscripts

BEM NA FITA

Gente! Olha só a nota que saiu no "Hora da Reflexão", boletim quinzenal que é publicado na empresa onde trabalho. A matéria fala maravilhas sobre o meu modesto Menino Homem. Eis a íntegra da nota:

(abre aspas)

A internet oferece uma ampla variedade de recursos para promover relações interativas entre seus usuários, mas os blogs são uma ferramenta que tem ganhado grande popularidade atualmente e se tornaram uma verdadeira febre. Se você é um dos poucos seres não familiarizados com tema, o blog é uma espécie de diário digital onde o internauta pode publicar textos, imagens e músicas. Neles é possível ver de tudo: do antigo diário das adolescentes, antes trancado a chaves, até conteúdos específicos sobre temas acadêmicos, empresariais ou culturais; notícias do dia-a-dia; ou o que mais passar pela cabeça do blogueiro. Um blog que merece ser visitado é o Menino Homem, criado por nosso colega Olavo Duarte, da GPROM e que traz poesias (muitas delas de autoria do próprio Olavo), curiosidades, notas históricas, atualidades, crônicas, críticas, vídeos, charges e muitas dicas culturais. Também vale muito a pena ler as postagens mais antigas, onde você vai encontrar resenhas e críticas sobre filmes, animações e curtas escolhidos a dedo. Uma leitura muito agradável e bastante educativa. Não deixe de conferir.

(fecha aspas)

DUAS MINHAS

FALSO PUDOR

De tudo, só sei um pouco:
É o que me basta para querer
o que me falta
Do mundo, apenas a parte que me cabe
faz pretender o que resta
A fresta da porta entreaberta
permite-me adivinhar
um vulto envolto num véu de ar
que deixa o segredo à mostra:
uma jóia por trás de uma parede.



O ÁLIBI

Ela me deixava ao mesmo tempo desconcertado e comovido
O engraçado susto que era repentino
E o constante sobressalto de costume
O fato de já saber dos descompassos, de já adivinhar
No tempo quando ela ia chegar
Deixava-me tão aflito de esperar
Que nenhuma surpresa seria novidade
Pairava então a expectativa no ar
E por mais que eu tentasse disfarçar
Eu era o principal suspeito.

EU NÃO TE AMO

Tens razão: eu não te amo
Porque mal te conheço:
Só vi até agora a superfície do oceano
Não passei do toque suave da seda do vestido
É verdade sim que não te amo
Mas desejo aprender qual é o caminho
E quero saber o que há e está escondido
Conhecer o segredo tão protegido
dentro do espelho.
Sim, não te amo, não
Porque não fui ao abismo,
Talvez por medo,
Porque não desci ao inferno contigo
Para te dar a mão no desespero
Também não estivemos no céu porque
Estivemos parados olhando para o chão

Quando o teu sorriso seria o meu sol noite e dia,
Não te procurei pelos lugares aonde você ia.

Não te amo, porque não me confundi contigo
E também porque não me perdi no meio de tudo
Para te encontrar.

Talvez um dia eu te diga tudo isso.

CAIXA DE PASSADO

Presente no meu dia é o que já foi longe no tempo
Recorda-se de repente algo do passado
Voltam os relógios para o instante do começo
Torna a tocar desde o início a melodia.
E eu me sinto como se nascesse agora
Para a época em que eu não sabia que já estava vivo
Porque a voz que por dentro se calava
Não me havia dito.
Retorna a impressão inicial da novidade,
Repete-se a surpresa
O segredo deixa de ser revelado
Para ser redescoberto.

UM DRUMMOND

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

(1902-1987)

AMAR

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

O SONHO DO CARACOL

El Sueño del Caracol [Schneckentraum] (Espanha, Alemanha,2001, 15 min. Direção por Iván Sáinz-Pardo,com Julia Brendler, Fabian Busch)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A METADE PARTIDA

eu suporto não ser
em silêncio

mero ermo

mudo amor que tenho em mim
segue, pórem
teus passos

enfermo do bem que guardo
em segredo

Não me importo pela dor que sinto:

por ter sentido por ti.

METRÓPOLE

Desapareço na cidade
Para não te encontrar
Vou a lugares onde te vi
para ver se você
Não está

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

PAT GETS A CAT

domingo, 22 de fevereiro de 2009

SIGNS

[SIGNS, EUA, 2009,12 min; direção por Patrick Hughes; com Nick Russel & Kestie Morassi]

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A ONDA E A PEDRA

Lenta erosão contra a montanha:
É assim que desapareces;
Uma palavra a menos cada dia
Um instante a mais de ausência
É como o final de uma música
Ainda acordes distantes -
Um longo solo em surdina.

CULPADA DE TUDO

Que ela me confessa
Sem perceber
Quando o olhar se acanha
Não há dúvida
Se ela se envergonha
De se perceber observada
Ela se entrega
Ela me conta os segredos dela
Quando desvia o olhar para a janela
Quando se enrubesce por me ver
Ela se deixa entrever
E em vão ainda tenta esconder o que sente
Mas, cá entre nós
Ela sabe que não mente muito bem.

SÓ UMA MULHER

Trama seus truques banais
Coisa de vilã de novela
Risível maldade de mulher

Deixa-me desconcertado durante o dia
Quando vem no pensamento
Aquela idéia
Dissimule bem o sentimento que tens
Não deixe que eu espreite
Na fresta do vestido azul
Um coração que acelera
contra a vontade.

Olhe-me desse jeito que me desmonta
E brinca de montar com as peças
Um jogo de bagunça
Mas faça de conta que é
Só brincadeira.

VERSO BRANCO

Quando de vez em quando
Uma idéia ganha asas
Eu faço um laço com as palavras
Para prendê-la
Pássaro raro precisa ser preso
Para mostrar seu canto.

(sem título)

Quando acontece um poema comigo
Eu fico inquieto e esquisito
Fico alheio de tudo
Quando me vem à cabeça um verso.

Quando acontece de vir à mente
Algo que rima ou não
Mas que eu acho bonito
Procuro um pedaço de papel mais à mão
Senão esqueço:

Já levei um poema inteiro
Escrito na palma da mão
Por falta de espaço.

MAPA AFETIVO

Desenho o Contorno da tua face de cujo olhar desce uma lágrima
Como se fosse suave chuva sobre a rua da minha casa na manhã do último dia
Estendo os braços ao vazio do Horizonte
Em algum lugar da cidade que existe no pensamento chamo teu nome
Olhas para trás: só o vento te fala de mim agora.
Espalhei cartazes contando histórias tristes e dias distantes
Quis seguir pela contramão do tempo
Parar a cidade inteira pra te ver
Quis te prender
Te fazer esperar
Cercar todas as saídas
Pra não te ver fugir
E ir para longe te procurar dentro de mim.

CAÓTICA CANÇÃO

Minha confusa paixão por você
Te dá tudo o que tem de bom e de ruim
E quer você do jeito que vier

Minha canção é uma mistura de todas as palavras que te falo, as coisas absurdas que te digo e que me calo
É meu verso sem sentido querendo uma razão pra te querer

Minha emoção é que nem fogo de artifício:
Faz uma explosão que enche a noite de barulho e brilho
E se apaga depois
sem nenhum vestígio.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

MONDO LIVRO

Afonso Borges é um velho conhecido da cena cultural de Belo Horizonte. Ele organiza a mais de 20 anos o "Sempre Um Papo", projeto que já trouxe a cidade mais de duas mil personalidades do mundo editorial. O "Sempre um Papo" também acontece em Brasília, Rio de Janeiro, Curitiba, interior de Minas e Paraná. O público estimado em toda a existência do projeto ultrapassa mais de 800 mil pessoas. Borges, que é também poeta e jornalista, mantém na Rádio Guarani (96,5MHz) o "Mondo Livro - o blog sonoro da literatura" um programete super divertido sobre as novidades do mundo literário e da língua, que vai ao ar de segunda a sexta, às 9h10 e 18h30, com o patrocínio de uma construtora local. Bem humorado, instigante e inteligente. São esses os adjetivos que podem ser aplicados ao programa de Afonso Borges. Se você tiver uma oportunidade, ouça. Garanto que você vai gostar. Os áudios e os textos do Mondo Livro também estão disponíveis no blog.