Meu amor é um ser inválido:
Tem apenas dois pés e dois braços
Amores comuns
Costumam ter quatro.
terça-feira, 21 de abril de 2009
REMÉDIOS DO AMOR
REMÉDIOS DO AMOR (Brasil, 2002, 19 min. Direção por João Vargas Penna. Com Andrea Caruso, Bruno Murtinho, João Faleiro, Luciana Brites, Paulo André, Rodrigo Signoretti. Música por Marco Antônio Guimarães. Filmado no Edifício Niemeyer, Praça da Liberdade, em Belo Horizonte e em Ouro Preto)
ASSISTA no Porta Curtas (www.portacurtas.com.br)
Remédios do Amor
A ÍNTEGRA DO ROTEIRO
(Adaptado do "Sermão do Mandato" [1643] do Padre Antônio Vieira, [1608-1697])REMÉDIOS DO AMOR
CORO
(off)
Diz que é de amor, e de amor nosso, e de amor incurável: de amor: de amor nosso: e de amor incurável, e sem remédio:
VIEIRA
(off)
Tudo conquista o amor, quando conquista uma alma; porém o pri-meiro rendido é o entendimento. Usar de razão, e amar, são duas coisas que não se ajuntam.
CORO
(off)
Diz que é de amor, e de amor nosso, e de amor incurável: de amor; de amor nosso;e de amor incurável, e sem remédio
VIEIRA
(continua em off)
O amor deixará de variar, se for firme, mas não deixará de tres-variar, se for amor.
VIEIRA
(em off)
São afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de have-rem de durar pouco, que terem durado muito;
VIEIRA
(continua, off)
São como as linhas, que partem do centro para a circunferência, que quanto mais continuadas, tanto menos unidas.
VIEIRA
(off)
De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não tira;
VIEIRA
(off)
embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê o que não via; e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge.
VIEIRA
(off)
Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba.
VIEIRA
(off)
Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera?
VIEIRA
(off)
Por isso os Antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho.
VIEIRA
(off)
O segundo remédio do amor é a ausência. Muitas enfermidades se curam só com a mudança do ar; o amor com a da terra.
VIEIRA
(off)
É o amor como a Lua, que em havendo Terra em meio, dai-o por eclipsado.
VIEIRA
(off)
E que terra há que não seja a terra do esquecimento, se vos passastes a outra terra? Se os mortos são tão esquecidos, havendo tão pouca terra entre eles e os vivos; que podem esperar e que se pode esperar dos ausentes?
VIEIRA
(off)
Se quatro palmos de terra causam tais efeitos; tantas léguas que farão? Em os longes passando de tiro de seta, não chegam lá as forças do amor.
VIEIRA
(off)
Os olhos são as frestas do coração, por onde respira; e daqui vem, que o coração na presença, em que tem abertos os olhos, por eles evapora e exala os afetos;
VIEIRA
(continua, off)
porém na ausência, em que os tem tapados pela distância, que lhe sucede? Assim como o vaso sobre o fogo, que tapado e não tendo por onde respirar, concebe maior calor, e o reconcentra todo em si e talvez rebenta,
VIEIRA
(continua, off)
assim o coração ausente, faltando-lhe a respiração da vista, e não tendo por onde dar saída ao incêndio,(continua)
VIEIRA
(continua, off)
recolhe dentro em si toda a força e ímpeto do amor, o qual cresce naturalmente, e se acende e adelgaça de sorte, (continua)
VIEIRA
(continua, off)
que não cabendo no mesmo coração, rebenta em maiores e mais extraordinários efeitos.
VIEIRA
(em off)
A natureza e a arte curam contrários com contrários. Sendo pois a ingratidão o maior contrário do amor, quem duvida que este ter-ceiro remédio seria também o último e o mais presente e eficaz…?
VIEIRA
(em off)
A virtude que lhe dá tamanha eficácia, se eu bem o considero, é ter este remédio da sua parte a razão.
VIEIRA
(em off)
Diminuir o amor o tempo, esfriar o amor a ausência, é sem-razão de que todos se queixam; mas que a ingratidão mude o amor e o con-verta em aborrecimento, a mesma razão o aprova, o persuade, e pa-rece que o manda.
VIEIRA
(em off)
Que sentença mais justa, que privar do amor a um ingrato? O tempo é natureza, a ausência pode ser força, a ingratidão sempre é delito.
VIEIRA
(em off)
O tempo tira ao amor a novidade, a ausência tira-lhe a comunica-ção, a ingratidão tira-lhe o motivo.
VIEIRA
(em off)
E ferido o amor no cérebro, e ferido no coração, como pode viver?
VIEIRA
(em off)
É pois o quarto e último remédio do amor, e com o qual ninguém deixou de sarar, o melhorar do objeto. Dizem que um amor com outro se paga, e mais certo é, que um amor com outro se apaga.
VIEIRA
(em off)
Assim como dois contrários em grau intenso não podem estar juntos em um sujeito;
VIEIRA
(continua, em off)
assim no mesmo coração não podem caber dois amores; porque o amor que não é intenso, não é amor.
VIEIRA
(continua, em off)
Daqui vem, que se acaso se encontram e pleiteiam sobre o lugar, sempre fica a vitória pelo melhor objeto.
VIEIRA
(continua, em off)
É o amor entre os afetos, como a luz entre as qualidades.
(off)
Diz que é de amor, e de amor nosso, e de amor incurável: de amor; de amor nosso;e de amor incurável; e sem remédio…
(…continua, em off)
Comumente se diz, que o maior contrário da luz são as trevas, e não é assim (continua…)
VIEIRA
(…continua, em off)
O maior contrário de uma luz, é outra luz maior.
VIEIRA
(continua, em off)
As estrelas no meio das trevas luzem, e resplandecem mais; mas em aparecendo o Sol, que é luz maior, desaparecem as estrelas.
ASSISTA no Porta Curtas (www.portacurtas.com.br)
Remédios do Amor
A ÍNTEGRA DO ROTEIRO
(Adaptado do "Sermão do Mandato" [1643] do Padre Antônio Vieira, [1608-1697])REMÉDIOS DO AMOR
CORO
(off)
Diz que é de amor, e de amor nosso, e de amor incurável: de amor: de amor nosso: e de amor incurável, e sem remédio:
VIEIRA
(off)
Tudo conquista o amor, quando conquista uma alma; porém o pri-meiro rendido é o entendimento. Usar de razão, e amar, são duas coisas que não se ajuntam.
CORO
(off)
Diz que é de amor, e de amor nosso, e de amor incurável: de amor; de amor nosso;e de amor incurável, e sem remédio
VIEIRA
(continua em off)
O amor deixará de variar, se for firme, mas não deixará de tres-variar, se for amor.
VIEIRA
(em off)
São afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de have-rem de durar pouco, que terem durado muito;
VIEIRA
(continua, off)
São como as linhas, que partem do centro para a circunferência, que quanto mais continuadas, tanto menos unidas.
VIEIRA
(off)
De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não tira;
VIEIRA
(off)
embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê o que não via; e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge.
VIEIRA
(off)
Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba.
VIEIRA
(off)
Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera?
VIEIRA
(off)
Por isso os Antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho.
VIEIRA
(off)
O segundo remédio do amor é a ausência. Muitas enfermidades se curam só com a mudança do ar; o amor com a da terra.
VIEIRA
(off)
É o amor como a Lua, que em havendo Terra em meio, dai-o por eclipsado.
VIEIRA
(off)
E que terra há que não seja a terra do esquecimento, se vos passastes a outra terra? Se os mortos são tão esquecidos, havendo tão pouca terra entre eles e os vivos; que podem esperar e que se pode esperar dos ausentes?
VIEIRA
(off)
Se quatro palmos de terra causam tais efeitos; tantas léguas que farão? Em os longes passando de tiro de seta, não chegam lá as forças do amor.
VIEIRA
(off)
Os olhos são as frestas do coração, por onde respira; e daqui vem, que o coração na presença, em que tem abertos os olhos, por eles evapora e exala os afetos;
VIEIRA
(continua, off)
porém na ausência, em que os tem tapados pela distância, que lhe sucede? Assim como o vaso sobre o fogo, que tapado e não tendo por onde respirar, concebe maior calor, e o reconcentra todo em si e talvez rebenta,
VIEIRA
(continua, off)
assim o coração ausente, faltando-lhe a respiração da vista, e não tendo por onde dar saída ao incêndio,(continua)
VIEIRA
(continua, off)
recolhe dentro em si toda a força e ímpeto do amor, o qual cresce naturalmente, e se acende e adelgaça de sorte, (continua)
VIEIRA
(continua, off)
que não cabendo no mesmo coração, rebenta em maiores e mais extraordinários efeitos.
VIEIRA
(em off)
A natureza e a arte curam contrários com contrários. Sendo pois a ingratidão o maior contrário do amor, quem duvida que este ter-ceiro remédio seria também o último e o mais presente e eficaz…?
VIEIRA
(em off)
A virtude que lhe dá tamanha eficácia, se eu bem o considero, é ter este remédio da sua parte a razão.
VIEIRA
(em off)
Diminuir o amor o tempo, esfriar o amor a ausência, é sem-razão de que todos se queixam; mas que a ingratidão mude o amor e o con-verta em aborrecimento, a mesma razão o aprova, o persuade, e pa-rece que o manda.
VIEIRA
(em off)
Que sentença mais justa, que privar do amor a um ingrato? O tempo é natureza, a ausência pode ser força, a ingratidão sempre é delito.
VIEIRA
(em off)
O tempo tira ao amor a novidade, a ausência tira-lhe a comunica-ção, a ingratidão tira-lhe o motivo.
VIEIRA
(em off)
E ferido o amor no cérebro, e ferido no coração, como pode viver?
VIEIRA
(em off)
É pois o quarto e último remédio do amor, e com o qual ninguém deixou de sarar, o melhorar do objeto. Dizem que um amor com outro se paga, e mais certo é, que um amor com outro se apaga.
VIEIRA
(em off)
Assim como dois contrários em grau intenso não podem estar juntos em um sujeito;
VIEIRA
(continua, em off)
assim no mesmo coração não podem caber dois amores; porque o amor que não é intenso, não é amor.
VIEIRA
(continua, em off)
Daqui vem, que se acaso se encontram e pleiteiam sobre o lugar, sempre fica a vitória pelo melhor objeto.
VIEIRA
(continua, em off)
É o amor entre os afetos, como a luz entre as qualidades.
(off)
Diz que é de amor, e de amor nosso, e de amor incurável: de amor; de amor nosso;e de amor incurável; e sem remédio…
(…continua, em off)
Comumente se diz, que o maior contrário da luz são as trevas, e não é assim (continua…)
VIEIRA
(…continua, em off)
O maior contrário de uma luz, é outra luz maior.
VIEIRA
(continua, em off)
As estrelas no meio das trevas luzem, e resplandecem mais; mas em aparecendo o Sol, que é luz maior, desaparecem as estrelas.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
HISTORINHAS CURTAS (2)
Aqui de novo flagrantes da vida alheia. Pequenos cotidianos, iguais aos de muita gente que eu conheço, parecidos com os dias que já vivi e vivo. Só as histórias é que falam de pessoas imaginárias, criadas -eu já falei sobre isso antes - pela imaginação de um autor ou de um roteirista. Mas as histórias poderiam ser de qualquer um de nós. Afinal, todos nós já vivemos a descoberta do primeiro amor, assim como da primeira desilusão amorosa; todos nós temos histórias alegres, divertidas e cômicas sobre a juventude, e um ou outro caso escabroso para esconder. Coisas do tipo fumar no corredor morrendo de medo de papai ou mamãe descobrir. Também eu e você já passamos pela aventura do primeiro emprego, do primeiro divórcio, do primeiro pedido de demissão. Esses curtas falam de descobertas, de redescobrimentos, de reviravoltas na vida necessárias para começar de novo, falam de ritos de passagem, da dura jornada a fase adulta da nossa existência, quando deixamos de ser para nos tornarmos, quando temos que deixar muita coisa de lado para formarmos a personalidade que vamos passar a ter.
ESPALHADAS PELO AR (Brasil, 2007.15 min.Dirigido por Vera Egito. Com Ana Carolina Lima, Estevan Santos, Renata Torralba Horta
ESPALHADAS PELO AR
ENGANO (Brasil, 2008, 11 min. Direção por Cavi Borges. Com Felipe Mônaco, Miila Derze
ENGANO
PERTO DE QUALQUER LUGAR (Brasil, 2007, 17 min. Direção por Mariana Bastos Com Caroline Abras (Gabi), Rafael Losso (Tom), Renata Gaspar (Julia), Victor Ribeiro (Rafa)
PERTO DE QUALQUER LUGAR
MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE UM EDITOR DE PASSOS (Brasil, 2006, 16 min. Direção por Daniel Turini. Com Eduardo Gomes, Fernando Sato, Rita Batata, Vinícius Piedade)
MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE UM EDITOR DE PASSOS
ESPALHADAS PELO AR (Brasil, 2007.15 min.Dirigido por Vera Egito. Com Ana Carolina Lima, Estevan Santos, Renata Torralba Horta
ESPALHADAS PELO AR
ENGANO (Brasil, 2008, 11 min. Direção por Cavi Borges. Com Felipe Mônaco, Miila Derze
ENGANO
PERTO DE QUALQUER LUGAR (Brasil, 2007, 17 min. Direção por Mariana Bastos Com Caroline Abras (Gabi), Rafael Losso (Tom), Renata Gaspar (Julia), Victor Ribeiro (Rafa)
PERTO DE QUALQUER LUGAR
MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE UM EDITOR DE PASSOS (Brasil, 2006, 16 min. Direção por Daniel Turini. Com Eduardo Gomes, Fernando Sato, Rita Batata, Vinícius Piedade)
MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE UM EDITOR DE PASSOS
quinta-feira, 9 de abril de 2009
EARLY MORNIN'
Uma luz acesa, outra apagada
A cidade semi desperta
Meio (des)acordada
Ainda sonham os notívagos
Perambulam sonâmbulos
Os que trabalham já se levantaram
para a crua realidade da luz do dia.
A cidade semi desperta
Meio (des)acordada
Ainda sonham os notívagos
Perambulam sonâmbulos
Os que trabalham já se levantaram
para a crua realidade da luz do dia.
quinta-feira, 2 de abril de 2009

Achei mais uma adaptação para o cinema do conto "Noites Brancas" de Dostoiévski. Desta vez, trata-se de "Belye Nochi" (em círilico, белые ночи), dirigido por Ivan Pyryev com a atriz Lyudmila Marchenko no papel de Nástenka, Oleg Strizhenov interpretando o Sonhador sem nome e Anatoli Fedorinov fazendo o Inquilino. Essa versão do clássico de Dostoiévski segue à risca o texto original, ambientando a história de Nastenka e o Sonhador em São Petersburgo e na época histórica do conto dostoievskiano. Mas o diretor se permite "viajar" um pouco na imaginação dos protagonistas: quando o Sonhador fala dos seus sonhos e delírios, as imagens (de uma adorável singeleza) mostram-no nas situações em que ele se projeta; da mesma forma, quando Nastenka pensa em se "casar com um príncipe chinês" temos realmente as imagens de seus devaneios. Em "Belye Nochi" o Sonhador, já velho e decrépito, habitando uma espelunca suja e enfumaçada, relembra aquelas quatro "noites brancas" em que conheceu a mulher da sua vida, que quatro dias depois viu desaparecer da sua visão para sempre nos braços do Outro Qualquer.
[sem título]
Diz que foi sem querer:
Mas já quis -
E me fez infeliz por vontade
E me fez mal sem maldade
A vilã de filme infantil
Magoa de um jeito gentil
Me engana de boa fé
Mas já quis -
E me fez infeliz por vontade
E me fez mal sem maldade
A vilã de filme infantil
Magoa de um jeito gentil
Me engana de boa fé
quarta-feira, 1 de abril de 2009
NÃO SUMI
Escolho a data de hoje, 1º de abril, dia da mentira, para voltar a mexer no meu blog. Não é mentira que eu ando meio "preguiçoso" quando se trata de me manter em dia com a tarefa de postar minhas coisas aqui. Também não deixa de ser verdade que hoje em dia as coisas andam meio mornas, meio sem novidades. Não estou apaixonado por ninguém, não vi nenhum filme legal (embora tenha vários na "fila" pra ser assistidos), não li nada de interessante ultimamente. Minha vida tem sido o trabalho, que está tranqüilo, e as precupações de praxe. Quando criei esse "Menino Homem" a tempos atrás, eu esperava ter assunto pra todos os dias, achava que tinha que falar de tudo, mesmo quando não tivesse nada pra dizer. O tempo passou, passou também a empolgação da novidade. Falei em outro lugar aqui no blog que sempre acontece isso com quem se aventura a ter uma "faceta no ciberespaço". Acontece de tempos em tempos isso de a gente deixar o ciberespaço de lado para cuidar de coisas da Terra, para lidar com fatos concretos, agir off-line. É talvez o que esteja acontecendo atualmente. Mas hoje, justamente no dia em que nada que se diga pode ser levado a sério, é que eu volto à lida. Se for mentira, se amanhã mesmo eu sair de novo pra só voltar daqui a não sei quantos dias, a culpa não é minha...quer dizer, é sim.
sexta-feira, 13 de março de 2009
TRACEY THORN: "RAISE THE ROOF"
Tracey Thorn é da dupla britânica Everything But the Girl. O timbre delicado e doce da sua voz, as canções com levadas que às vezes lembram a nossa boa e velha bossa nova, as letras inspiradas, têm sido a minha trilha sonora ultimamente. Essa "Raise the Roof" encanta pela simplicidade do arranjo, pela batida eletrônica não tão "batida" como as músicas que são feitas hoje em dia e sobretudo por este vídeo, com sua singela historinha de amor. "Raise the Roof" é do trabalho solo de Tracey, "Out of the Woods", de 2007. Ouça.
Para mais coisas sobre Tracey, visite o site dela:
"Raise the Roof", o vídeo, foi dirigido por Eduard Grau e filmado em Bucareste, na Romênia.
Para mais coisas sobre Tracey, visite o site dela:
"Raise the Roof", o vídeo, foi dirigido por Eduard Grau e filmado em Bucareste, na Romênia.
terça-feira, 10 de março de 2009
NÃO DEVERIA SABER
Um tolo contaria
Para o inimigo
O segredo.
Eu disse a ela
Tudo o que eu sentia.
Para o inimigo
O segredo.
Eu disse a ela
Tudo o que eu sentia.
Terceiro sobre a leveza
No ar, a palavra mais simples
desenha a história
Que vou contar amanhã
Depois de descansar.
desenha a história
Que vou contar amanhã
Depois de descansar.
O JOGO DA MEMÓRIA
Colho fragmentos:
São cacos
Quando volto o tempo
No caminho
Ecos indistintos
E incompletos
Vaga impressão
De já ter visto
Pois faz tanto
Só que isto
Já não faz sentido.
São cacos
Quando volto o tempo
No caminho
Ecos indistintos
E incompletos
Vaga impressão
De já ter visto
Pois faz tanto
Só que isto
Já não faz sentido.
PAS-DE-DEUX *
Daí a gente dança
Que nem gente grande
Eu de longe e você por aí
- a música de fundo sem harmonia -
Então fica assim:
a gente fica agora e ainda hoje se esquece
Você de tudo e eu de mim.
* no balé clássico, é a coreografia executada por um casal de bailarinos.
Que nem gente grande
Eu de longe e você por aí
- a música de fundo sem harmonia -
Então fica assim:
a gente fica agora e ainda hoje se esquece
Você de tudo e eu de mim.
* no balé clássico, é a coreografia executada por um casal de bailarinos.
TODAS AS OUTRAS
Não fosses tu a melhor de todas
As mulheres verdadeiras
Dessas que por não serem perfeitas
São lindas
Daquelas em que erros e enganos têm razão de ser
Não fosses tu a mais estranha
das desconhecidas
Se fosses banalmente natural,
Se estivesses, como todas, atada à superfície
Se os sorrisos e os cosméticos
Ou as lágrimas
Mentissem por você
Certamente eu não te amaria.
As mulheres verdadeiras
Dessas que por não serem perfeitas
São lindas
Daquelas em que erros e enganos têm razão de ser
Não fosses tu a mais estranha
das desconhecidas
Se fosses banalmente natural,
Se estivesses, como todas, atada à superfície
Se os sorrisos e os cosméticos
Ou as lágrimas
Mentissem por você
Certamente eu não te amaria.
ACONTECEU COMIGO
Veja o que está escrito:
é tudo o que eu disse desde o início
Gosto de contar e recontar
o que aconteceu comigo
Leia o que foi visto
Pense nisso
É o que eu diria se te visse
Gosto de pensar que tudo isso
Está no ar
Guarde os retratos, os recados
os registros
Se um dia qualquer
você se lembrar
é tudo o que eu disse desde o início
Gosto de contar e recontar
o que aconteceu comigo
Leia o que foi visto
Pense nisso
É o que eu diria se te visse
Gosto de pensar que tudo isso
Está no ar
Guarde os retratos, os recados
os registros
Se um dia qualquer
você se lembrar
domingo, 1 de março de 2009
RARE BOOKS AND MANUSCRIPTS
RARE BOOKS AND MANUSCRIPTS (Inglaterra, 2005, 12 min. Direção por Bruce Webb. Com Neve McIntosh, Alexander Giles e Ian Mosby)
Numa tranqüila biblioteca, a tímida Jess apaixona-se por um rapaz e, depois de conseguir "roubar" o número do cartão dele, começa a enviar para ele livros cujos títulos formam mensagens secretas. Mas Jess também anda recebendo livros de nomes estranhos, que também formam frases com sentido completo. E mais: se o seu muso tem uma namorada, que um dia vai buscá-lo na biblioteca, quem será o seu "admirador secreto"?
rare books and manuscripts
Numa tranqüila biblioteca, a tímida Jess apaixona-se por um rapaz e, depois de conseguir "roubar" o número do cartão dele, começa a enviar para ele livros cujos títulos formam mensagens secretas. Mas Jess também anda recebendo livros de nomes estranhos, que também formam frases com sentido completo. E mais: se o seu muso tem uma namorada, que um dia vai buscá-lo na biblioteca, quem será o seu "admirador secreto"?
rare books and manuscripts
BEM NA FITA
Gente! Olha só a nota que saiu no "Hora da Reflexão", boletim quinzenal que é publicado na empresa onde trabalho. A matéria fala maravilhas sobre o meu modesto Menino Homem. Eis a íntegra da nota:
(abre aspas)
A internet oferece uma ampla variedade de recursos para promover relações interativas entre seus usuários, mas os blogs são uma ferramenta que tem ganhado grande popularidade atualmente e se tornaram uma verdadeira febre. Se você é um dos poucos seres não familiarizados com tema, o blog é uma espécie de diário digital onde o internauta pode publicar textos, imagens e músicas. Neles é possível ver de tudo: do antigo diário das adolescentes, antes trancado a chaves, até conteúdos específicos sobre temas acadêmicos, empresariais ou culturais; notícias do dia-a-dia; ou o que mais passar pela cabeça do blogueiro. Um blog que merece ser visitado é o Menino Homem, criado por nosso colega Olavo Duarte, da GPROM e que traz poesias (muitas delas de autoria do próprio Olavo), curiosidades, notas históricas, atualidades, crônicas, críticas, vídeos, charges e muitas dicas culturais. Também vale muito a pena ler as postagens mais antigas, onde você vai encontrar resenhas e críticas sobre filmes, animações e curtas escolhidos a dedo. Uma leitura muito agradável e bastante educativa. Não deixe de conferir.
(fecha aspas)
(abre aspas)
A internet oferece uma ampla variedade de recursos para promover relações interativas entre seus usuários, mas os blogs são uma ferramenta que tem ganhado grande popularidade atualmente e se tornaram uma verdadeira febre. Se você é um dos poucos seres não familiarizados com tema, o blog é uma espécie de diário digital onde o internauta pode publicar textos, imagens e músicas. Neles é possível ver de tudo: do antigo diário das adolescentes, antes trancado a chaves, até conteúdos específicos sobre temas acadêmicos, empresariais ou culturais; notícias do dia-a-dia; ou o que mais passar pela cabeça do blogueiro. Um blog que merece ser visitado é o Menino Homem, criado por nosso colega Olavo Duarte, da GPROM e que traz poesias (muitas delas de autoria do próprio Olavo), curiosidades, notas históricas, atualidades, crônicas, críticas, vídeos, charges e muitas dicas culturais. Também vale muito a pena ler as postagens mais antigas, onde você vai encontrar resenhas e críticas sobre filmes, animações e curtas escolhidos a dedo. Uma leitura muito agradável e bastante educativa. Não deixe de conferir.
(fecha aspas)
DUAS MINHAS
FALSO PUDOR
De tudo, só sei um pouco:
É o que me basta para querer
o que me falta
Do mundo, apenas a parte que me cabe
faz pretender o que resta
A fresta da porta entreaberta
permite-me adivinhar
um vulto envolto num véu de ar
que deixa o segredo à mostra:
uma jóia por trás de uma parede.
O ÁLIBI
Ela me deixava ao mesmo tempo desconcertado e comovido
O engraçado susto que era repentino
E o constante sobressalto de costume
O fato de já saber dos descompassos, de já adivinhar
No tempo quando ela ia chegar
Deixava-me tão aflito de esperar
Que nenhuma surpresa seria novidade
Pairava então a expectativa no ar
E por mais que eu tentasse disfarçar
Eu era o principal suspeito.
De tudo, só sei um pouco:
É o que me basta para querer
o que me falta
Do mundo, apenas a parte que me cabe
faz pretender o que resta
A fresta da porta entreaberta
permite-me adivinhar
um vulto envolto num véu de ar
que deixa o segredo à mostra:
uma jóia por trás de uma parede.
O ÁLIBI
Ela me deixava ao mesmo tempo desconcertado e comovido
O engraçado susto que era repentino
E o constante sobressalto de costume
O fato de já saber dos descompassos, de já adivinhar
No tempo quando ela ia chegar
Deixava-me tão aflito de esperar
Que nenhuma surpresa seria novidade
Pairava então a expectativa no ar
E por mais que eu tentasse disfarçar
Eu era o principal suspeito.
EU NÃO TE AMO
Tens razão: eu não te amo
Porque mal te conheço:
Só vi até agora a superfície do oceano
Não passei do toque suave da seda do vestido
É verdade sim que não te amo
Mas desejo aprender qual é o caminho
E quero saber o que há e está escondido
Conhecer o segredo tão protegido
dentro do espelho.
Sim, não te amo, não
Porque não fui ao abismo,
Talvez por medo,
Porque não desci ao inferno contigo
Para te dar a mão no desespero
Também não estivemos no céu porque
Estivemos parados olhando para o chão
Quando o teu sorriso seria o meu sol noite e dia,
Não te procurei pelos lugares aonde você ia.
Não te amo, porque não me confundi contigo
E também porque não me perdi no meio de tudo
Para te encontrar.
Talvez um dia eu te diga tudo isso.
Porque mal te conheço:
Só vi até agora a superfície do oceano
Não passei do toque suave da seda do vestido
É verdade sim que não te amo
Mas desejo aprender qual é o caminho
E quero saber o que há e está escondido
Conhecer o segredo tão protegido
dentro do espelho.
Sim, não te amo, não
Porque não fui ao abismo,
Talvez por medo,
Porque não desci ao inferno contigo
Para te dar a mão no desespero
Também não estivemos no céu porque
Estivemos parados olhando para o chão
Quando o teu sorriso seria o meu sol noite e dia,
Não te procurei pelos lugares aonde você ia.
Não te amo, porque não me confundi contigo
E também porque não me perdi no meio de tudo
Para te encontrar.
Talvez um dia eu te diga tudo isso.
CAIXA DE PASSADO
Presente no meu dia é o que já foi longe no tempo
Recorda-se de repente algo do passado
Voltam os relógios para o instante do começo
Torna a tocar desde o início a melodia.
E eu me sinto como se nascesse agora
Para a época em que eu não sabia que já estava vivo
Porque a voz que por dentro se calava
Não me havia dito.
Retorna a impressão inicial da novidade,
Repete-se a surpresa
O segredo deixa de ser revelado
Para ser redescoberto.
Recorda-se de repente algo do passado
Voltam os relógios para o instante do começo
Torna a tocar desde o início a melodia.
E eu me sinto como se nascesse agora
Para a época em que eu não sabia que já estava vivo
Porque a voz que por dentro se calava
Não me havia dito.
Retorna a impressão inicial da novidade,
Repete-se a surpresa
O segredo deixa de ser revelado
Para ser redescoberto.
Assinar:
Postagens (Atom)