quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Amor, de tarde

MARIO BENEDETTI (1920)

POEMAS DO ESCRITÓRIO (1953-1956)

Tradução por Júlio Luís Gehlen

AMOR DE TARDE

É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são quatro
e termino a planilha e penso 10 minutos
e estico as pernas como todas as tardes
e faço assim com os ombros para relaxar as costas
e estalo os dedos e arranco mentiras.

É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são cinco
e eu sou uma manivela que calcula juros
ou duas mãos que pulam sobre quarenta teclas
ou um ouvido que escuta como ladra o telefone
ou um tipo que faz números e lhes arranca verdades.

É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são seis.
Você podia chegar de repente
e dizer “e aí?” e ficaríamos
eu com a mancha vermelha dos seus lábios
você com o risco azul do meu carbono.

Da “Antologia Poética”, São Paulo, Record, 1988

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

ENCANTAMENTO

(o primeiro para o zero)

Com os olhos longe
E o coração perdido
o pensamento fora daqui
Me sinto num sonho sem estar sonhando
Mas sem acreditar no que estou vivendo.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A ILHA PERDIDA

Para A.

Onda de um mar distante
Quebra numa terra
Dantes, muito antes, navegada
Torna, feita maré,
à praia,
Corais, embarcações, sereias:
Mensagens esquecidas.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

ESSE É O CARA

Djavan vai lançar o primeiro disco como interprete em 30 anos de carreira. Leia aqui a matéria do UAI sobre o lançamento de "Ária".
Uma das pérolas garimpadas dos clássicos da música brasileira para o álbum é esta "Luz e Mistério", de Beto Guedes e Caetano Veloso, cuja belíssima letra segue abaixo:

Luz e mistério
por Beto Guedes e Caetano Veloso

Oh! Meu grande bem
Pudesse eu ver a estrada
Pudesse eu ter
A rota certa que levasse até
Dentro de ti

Oh! meu grande bem
Só vejo pistas falsas
É sempre assim
Cada picada aberta me tem mais
Fechado em mim

És um luar
Ao mesmo tempo luz e mistério
Como encontrar
A chave desse teu riso sério

Doçura de luz
Amargo e sombra escura
Procuro em vão
Banhar-me em ti
E poder decifrar teu coração

És um luar
Ao mesmo tempo luz e mistério
Como encontrar
A chave desse teu riso sério

Oh grande mistério, meu bem, doce luz
Abrir as portas desse império teu
E ser feliz

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ai que inveja do Arnaldo Antunes...

Se eu soubesse mesmo escrever, eu escreveria assim...simples e lindo...

Se Tudo Pode Acontecer
Arnaldo Antunes

Se tudo pode acontecer
Se pode acontecer qualquer coisa
Um deserto florescer
Uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer
E acontecer de ser você
Um cometa vir ao chão
Um relâmpago na escuridão
E a gente caminhando de mão dada de qualquer maneira
Eu quero que esse momento dure a vida inteira
E além da vida ainda de manhã no outro dia
Se for eu e você
Se assim acontecer. . .
Se tudo pode acontecer
Se pode acontecer qualquer coisa
Um deserto florescer
Uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer
E acontecer de ser você
Um cometa vir ao chão
Um relâmpago na escuridão
E a gente caminhando de mão dada de qualquer maneira
Eu quero que esse momento dure a vida inteira
E além da vida ainda de manhã no outro dia
Se for eu e você
Se assim acontecer

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Menina de 7 anos paga férias na Disney vendendo limonada nos EUA


Uma menina de 7 anos de idade vai passar férias na Disney World com a mãe, nos Estados Unidos, depois de conseguir quase US$ 2 mil vendendo limonada em uma barraquinha.No último dia 29 de julho, Julie Murphy montou sua barraquinha ajudada pela mãe, Maria, em um festival de artes em Portland. A barraquinha, entretanto, foi interditada por autoridades sanitárias do condado de Multnomah, porque a menina não tinha licença para operar como restaurante.Os fiscais afirmaram que a licença custava US$ 120 (cerca de R$ 210) e advertiram que se ela se recusasse a suspender as vendas, a multa seria de US$ 500 (cerca de R$ 870).O copo de limonada estava sendo vendido por Julie a US$ 0,50 (R$ 0,87).

Segundo informações do jornal local The Oregonian, alguns visitantes do festival sugeriram que ela distribuísse a bebida em troca de doações, mas os fiscais não aceitaram a proposta, e a menina acabou deixando o local às lágrimas.O caso causou comoção entre os americanos, despertando um debate na internet e gerando críticas ao excesso de burocracia.Na quinta-feira passada, a menina, que mora em um subúrbio de Portland, recebeu um pedido de desculpas oficial do condado pelo ocorrido.O diretor do conselho administrativo do condado, Jeff Cogen, declarou à imprensa americana: "Há uma razão para as leis existirem", mas "uma menina de 7 anos de idade vendendo limonada em uma barraquinha não equivale a um adulto vendendo burritos em uma carrocinha".Cogen afirmou ainda que a venda de limonada por crianças em frente de suas casas é uma tradição americana, lembrando que ele vendia limonada quando pequeno e seus filhos o fazem até hoje.Com a notoriedade do caso, Julie foi procurada por estações de rádio e TV locais. Uma dessas estações de TV e uma loja de pneus patrocinaram uma nova barraquinha para a menina vender limonada durante uma tarde.Ao todo, Julie conseguiu US$ 1.838,31 (cerca de R$ 3.220) com a venda da bebida, e decidiu usar o dinheiro para passar férias na Disney com sua mãe, no fim do mês."A gente aprecia muito o que todo mundo fez", disse sua mãe, Maria Fife ao The Oregonian."Ela abriu sua barraquinha de limonada, teve uma boa experiência, e isso é tudo o que ela queria, em primeiro lugar. E ela também conheceu algumas pessoas bastante legais."

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

PAPEL

Se eu rabisco o que sinto
Então o que sinto é um risco?

quinta-feira, 22 de julho de 2010

AMAZING GRACE

(para A. )

Você é tão bonita
Quanto Louis Armstrong
cantando As Time Goes By.

(ou seria o Jobim em Eu Sei que Vou te Amar?)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

LOVE AFFAIR

Não chegamos às vias de fato -
Mas quase nos amamos:
Ao ponto do estranhamento.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

OS OUTROS NOMES DO AMOR

Engraçado a dor que que não é doença
Estranha ânsia que não é de urgência
E a calmaria aflita pelo mar
O que é isso que estou sentindo agora
Algo que eu não queria querer
E que me foi roubado
mas eu nunca tive?

A NOITE DO PRIMEIRO DIA

Não, não sei ainda,
pela manhã conversamos sobre isso
Por hora, agora, não diga nada
Saberemos os dois o que aconteceu
Mas só depois
Por enquanto não fazemos idéia
do que está havendo entre nós
Surpreendidos que estamos
Nem vamos ainda viver para o dia seguinte
O que não vivemos.

(...)

Acontece às vezes,
e quando acontece pára o tempo:
Não dura muito mais que um instante
Mas traz ao momento presente todo o passado
Basta uma palavra para dizê-lo:
Saudade.

DIÁRIO DO MÊS DE AGOSTO

Hoje lembrei-me de ti:
Como sempre faço
Já estou acostumado a pensar assim
É estranho até quando me esqueço de algum detalhe
Eu que sou tão interessado -
Agora à pouco, como sempre,
Senti saudade
Como se esta, antes, não existisse
A mesma estranha impressão do primeiro dia
Quando a saudade, de fato, não existia.

HIPERCENTRO

Sigo distante
Atentamente
a ausência
Um som familiar me alcança:
toda a cidade chama a minha presença
Num ponto impreciso
da Rua Goiás.

(...)

Esses fícus da Avenida Carandaí têm um cheiro estranho:
Com notas de tempo passado
O ar fantasmagórico dos edifícios antigos -
Mortos ilustres nos nomes das placas.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

AS PROVAS

Parte do teu pensamento está no meu corpo
Como a marca de nascimento: não só o sangue
mas os tempos; não apenas as vísceras dos sentimentos
Mas os mínimos instantes
Toda a ausência que existe serve para denunciar algo que já foi presente
Como a cicatriz de um tiro
que ainda dói.

AS IDADES

Vou ao começo quando quero
Ao mesmo tempo em que me repito
Os dias voltam a ser quando eu sinto
Quando vejo o que já vi
Volto ao início sempre que preciso saber o que serei
também quando desejo lembrar o que não sei
E quando quase me esqueço de mim mesmo
Torno ao intante em que me descobri.

A ÚLTIMA CRIAÇÃO DE DEUS

Se eu não te amasse,
algo parecido aconteceria
e mudaria alguma coisa de lugar
para semopre:
Por exemplo, nasceria uma ilha no mar
e do chão cresceria a montanha
Se eu não te amasse
- o que é difícil de imaginar -
Um fato incomum a todos causaria espanto
Como o nascimento de uma improvável estrela
no céu dos cientistas.
Se, por mero descuido do destino,
eu não te conhecesse
Certamente a natureza ganharia novas criaturas
E Deus inventaria alguma coisa no lugar do amor:
Algo tão belo que só Ele conhece.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

(sem título)

Sinto, não sou bom em decifrar mistérios
Mesmo os mais claros
Acho que são ilusões as imagens
Penso que olhares tão reais são sonhos
Só porque eu quero.

PARALELAS

Nunca te toco:
Embora te siga de não muito distante;
Desde bem antes, até o tempo presente
E para sempre.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

ESTAÇÃO CENTRAL*

Eu vi o trem:
levava a montanha para o mar.






*os trens da Ferrovia Centro Atlântica atravessam a área central de Belo Horizonte, transportando minério de ferro em direção ao porto de Vitória, no Espírito Santo.

sábado, 22 de maio de 2010

(sem título)

Meu amor é letra e música:
Sem a voz.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Professora universitária se casa com mendigo nove dias após conhecê-lo


do "R7"

Um dia, a professora universitária Joanne St Clair, de Lancashire (Inglaterra), resolveu fazer uma viagem de supetão, para fugir do estresse. Chegando a Los Angeles (EUA), ela conheceu um mendigo. Nove dias depois, Joanne estava casada com Daniel Orlick. Passados sete anos, Joanne e Daniel continuam juntos - e com um filho (o segundo está a caminho). Os dois se conheceram na entrada de uma pousada em Venice Beach, onde Daniel havia trabalhado. O primeiro contato foi uma discussão sobre o desenho animado "Os Simpsons". Depois, o sem-teto cortejou a inglesa com algumas canções que ele mesmo compusera.
Daí para o casamento foi um pulo. Os dois se casaram em um tribunal de Los Angeles e tatuaram alianças no dedo anelar. A noite de núpcias foi passada na mesma pousada. O casal vive na Inglaterra. Joanne atualmente é empresária do marido. Ela e Daniel administram uma gravadora independente.
"Por causa da forma como nos conhecemos, não há a expressão 'não pode' na nossa casa", disse a inglesa.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Post-it faz 30 anos e ainda é sucesso no mundo


do "R7"

Foto por Jim Watson/AFP
Bloquinho é um dos cinco itens de escritório mais vendidos nos EUA; invenção fracassada, foi usado como lembrete de missa dominical.

Enquanto o videocassetes e os walkmans foram deixados de lado, outro invento dos anos 80, o Post-it, o miniquadrado adesivo colorido que invadiu escritórios e portas de geladeiras, comemora seus 30 anos ainda como um sucesso.Fruto de um invento fracassado, o Post-it foi lançado no mercado em abril de 1980 pelo grupo 3M, e figura todos os anos entre os cinco itens de escritório mais vendidos nos Estados Unidos.
De lá para cá, o pequeno quadrado de papel amarelo de 7 cm por 7 cm ganhou oito tamanhos, 25 formas e 62 cores, e é vendido em 150 países, mas a 3M não divulga dados de vendas. Robert Thompson, professor de cultura popular da Universidade Syracuse de Nova York, contou que o Post-it é uma invenção perfeita.
- Nada consegue substituí-lo, nem um bip em um telefone nem um lembrete eletrônico. Continuaremos usando os Post-it dentro de cem anos.
Thompson acrescentou que o invento reflete as tendências dos anos 80: uma vida cada vez mais complexa e a necessidade de controlar essa complexidade. O professor diz que "o Post-it apareceu na mesma época em que surgiram os computadores pessoais, e é de fato um objeto de alta tecnologia".
Os inventores do lembrete adesivo, Arthur Fry e Sencer Silver, dois engenheiros da 3M, foram imortalizados no mês passado no palácio nacional de inventores (National Inventors Hall of Fame), junto com Jacques-Yves Cousteau e uma quinzena de outros inventores, cujas inovações "contribuíram ao progresso humano, social e econômico".
Naquele dia, Fry, de 78 anos, disse que pedem a ele seis ou sete autógrafos por semana desde o sucesso de seu invento.
- O Post-it tornou a vida mais fácil para as pessoas em uma época de profusão de informação.
Confira também
Para comemorar o aniversário, a empresa convocou estudantes de 11 a 18 anos para um concurso, no qual devem criar obras de arte originais a partir do Post-it.
Como costuma acontecer com as invenções, o pequeno bloco de notas adesivas nasceu de uma experiência fracassada de Spencer Silver. Em 1968, o engenheiro produziu uma cola que não aderia muito bem. Poucos anos depois, seu colega Arthur Fry inventou o conceito crucial de Post-it, frustrado por não ter um lembrete para sua missa dominical.
O adesivo fracassado de Silver, que tem atualmente 22 patentes, foi crucial para as ações de colar e descolar os papeis, sobre qualquer superfície.
E a empresa se adapta à epoca atual. Este ano lançou um Post-it ecológico, feito de papel 100% reciclado e com uma cola criada a partir de uma planta.

Copyright AFP - Todos os direitos de reprodução e representação reservados

quarta-feira, 31 de março de 2010

EXEMPLO DE HONESTIDADE

Isto está em tão em falta hoje em dia...


Mulher de Brasília tenta pagar dívida há 40 anos.

Ela pegou o equivalente a R$ 300 emprestado com uma vizinha, mas perdeu o contato com a mulher. Mulher já recorreu até a órgãos do governo para achar a amiga


quarta-feira, 3 de março de 2010

Eduardo e Mônica

Animação da canção "Eduardo e Mônica" da banda Legião Urbana.
direção de Leonardo Morais
Música: "Eduardo e Mônica" de Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, para o álbum "Dois" (1986)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

MELANCOLIA (BLUES)

Melancolia: nuvem cinza no céu azul
Dia de sol parcialmente nublado
Mel amargo, fel adocicado
Fruto agridoce do amor

(A melancolia é que nem sal:
Muito faz mal
Mas não se vive sem)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O CASO

Isso não termina o que sabemos um do outro
No dia em que nos escondemos, estávamos juntos
Se foi errado o que fizemos
Éramos cúmplices -
Esse é o nosso segredo:
Cale-se comigo.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

domingo, 31 de janeiro de 2010

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

esboço em branco

idéias ainda um pouco recentes:
algo que senti agora à pouco -
preciso disso em palavras que
não sei dizer tão cedo:

Pode ser que num instante eu as deixe de lado.

(sem título, também)

Uma palavra suave
para uma sensação tão heavy
que é o amor
leve como a nuvem
que cai inundação.

A QUE EU VI CHEGAR

Lembro-me de que vieste querendo saber
alguma coisa sobre algo de que já nos
esquecemos
Uma urgência que perdeu a importância com o tempo

Tenho para mim que
aquele contratempo imediato que te trouxe aqui
era a sorte que não tinha outro
pretexto para te levar ali
onde nunca antes tinhas estado
foi a invenção do acaso
que te tirou do caminho costumeiro
para mudá-lo

E o desvio inesperado
apontou o destino.

(sem título)

Depois do instante crucial
o que vem em seguida ainda é urgente

é justamente no final, com as luzes acesas
e acordado do sonho,
que mais se deseja

- quando o que parecia impossível
revela-se real.

domingo, 24 de janeiro de 2010

MIXTAPE

A FLECHA DO CUPIDO



(assista até o final dos créditos)

POST-IT LOVE

terça-feira, 19 de janeiro de 2010





Na Inglaterra, gato que pegava ônibus sozinho morre atropelado


Publicado no Jornal "O Tempo" (19/01/2010)



DA REDAÇÃO

(Leia a matéria no "Daily Mail" - em inglês)

Um felino conhecido na cidade de Plymouth, na Inglaterra, por embarcar sozinho, diariamente no mesmo horário, em um ônibus da linha 3 morreu atropelado por um carro quando tentava mais uma vez entrar no veículo. O fato foi noticiado nesta terça-feira pelo periódico americano Dailymail.

O gato, de nome Casper, tinha doze anos e repetia o ritual de pegar o mesmo ônibus ao longo de 4 anos. Casper era conhecido pela população e não dava transtorno aos demais passageiros durante seus passeios no ônibus, que duravam cerca de 17 quilômetros.

O animal esperava o ônibus todos os dias em um ponto em frente a casa onde vivia com a dona. Casper entrava no veículo, se acomodava em uma das cadeiras e ficava até que o ônibus retornasse ao ponto de partida.

A dona do animal, Susan Finden, 65 anos, lamentou a morte de Casper dizendo que ele era querido pela população e vai fazer muita falta na cidade.



A dona de Casper, Susan Finden e o motorista do ônibus, Rob Stonehouse

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

MENINOS E MENINAS

SORTE NO JOGO...

Aposto no inesperado
E chego
a jogar
todos os ases
O único
truque
que tenho
é me lançar
e me fazer de vencido
descarto o trunfo
no ato:

não sou um jogador nato
como você.

FIM DO COMEÇO

o que acaba e ainda falta
o que termina no meio
o que nem chega a ser começo
e que se vai antes do fim
Nem deveria existir.

A QUEM INTERESSA POSSA

Arrumando coisas guardadas em gavetas e em caixas, recomponho o tempo passado e não perdido. Vejo notícias que faziam sentido no dia em que aconteceram, recados urgentes para aquela hora, memórias válidas para o instante. Mas nas mãos do meu pensamento, os dias, as horas e os instantes é como se acontecessem, urgissem e valessem para o minuto presente, para a hora vindoura, para o dia seguinte. Não esqueço de nada, porque guardo tudo nas gavetas, porque trago comigo em compartimentos do coração as memórias dos dias, os recados urgentes, as notícias do tempo, rigorosa e cronologicamente catalogados, bastando buscar uma palavra-chave para recordá-los e recuperá-los. E, de algum modo, revivê-los como se ainda vivessem. Assim, aquela conversa ao telefone, aquela caminhada pelas ruas da cidade, aquele olhar do dia da terceira despedida ainda estão aqui. Porque estão bem guardados.

domingo, 17 de janeiro de 2010

AMORES POSSÍVEIS

Amores em ser
Amores que deixam a desejar
Desejar e não ter
De querer ficar
e não querer

One Night Stand

Second Date


Shoes Off!

sábado, 28 de novembro de 2009

"RETALHOS" (Blankets)




Ontem eu mandei uma carta para o desenhista americano Craig Thomspon, gentilmente traduzida para o inglês pela minha amiga Aline Rabelo. Nela, eu peço para ele me enviar um desenho autografado por ele de seu "Retalhos" (Blankets) uma caudalosa história em quadrinhos - mais de 500 páginas! O autor esteve em Belo Horizonte em setembro, onde foi a estrela do FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos, em sua sexta edição na cidade. Eu conhecera a obra de Thompson ao baixar "Blankets" no E-mule, completamente por acaso, em uma versão para o espanhol. Estava procurando aleatoriamente histórias em quadrinhos e me deparei com esta bela história. Tempos depois, também por acaso, fui ao cinema assistir "De Profundis", de Miguelanxo Prado (também quadrinista) e esperando pela sessão das cinco, entrei na livraria e comecei a folhear uns livros, apenas para passar o tempo. Qual não foi a minha supresa quando, ao olhar para uma estante, dei de cara com o livro. Não pensei duas vezes antes de sacar o cartão do bolso e gastar R$45,00 (caro!) na bela edição da Companhia das Letras, um calhamaço que quase não coube na minha bolsa. Fui andando para casa depois do filme, estava uma bela tarde de domingo, de clima agradável, não estava fazendo o calor que nos açoitara a semana toda. Durante a caminhada, fui lendo e me tornando amigo de Craig e de seu irmão Phil, conhecendo a história dele desde a infância na interiorana Marathon, uma cidadezinha nos cafundós do estado de Wisconsin. Craig nos conta de sua rígida educação numa família cristã, do árduo trabalho no campo, das bricadeiras e do relacionamento com o irmão mais novo - em uma casa "velha e com problemas de ventilação e de aquecimento", os dois tinham que dividir a mesma cama. O que o fazia se distanciar da dura realidade, do abuso sexual do baby-sitter (isso mesmo: o babá dos meninos era um homem), das humilhações na escola, do frio excessivo no inverno e do calor escaldante do verão, da brutalidade do pai, era se refugiar na fantasia, nos sonhos e nos desenhos, talento que Craig desde cedo relevou.
Mais o que mais me encanta na história de "Retalhos" é a narrativa da mais sublime e traumática experiência pela qual todos nós passamos: o primeiro amor. Numa colônia de férias da igreja Batista, Craig conhece Raina, uma garota "rebelde", impulsiva, cheia de personalidade, mas absolutamente encantadora, autêntica e linda, dessas pelas quais não é difícil se apaixonar. Essa experiência irá moldar para sempre a sua vida.



"Retalhos" (2003)
THOMPSON, Craig
Título original: "Blankets"
Edicão em português da Companhia das Letras
Tradução por Érico Assis
23 x 15,8 cm 1ª Edição - 2009
preço médio: R$49,00

(ainda sem título)

Essa cidade imensa
Ficou pequena
Para minha dor
Quando me pus a caminho
Para voltar para o meu deserto
Por ruas onde há mais sofrimento e desespero
Do que o que eu sinto por dentro
E me envergonho de chorar sem motivo
Quando me comparo com o mendigo
Sem pão e sem amor
Enquanto eu sigo para o meu castelo.

Vejo os que não tem destino
Vagando para o ermo
Quem sabe procurando tanto quanto eu
Eu que pensei que já tinha me encontrado.
Vejo o que não tem o que comer
E se veste com trapos
Que mal podem esconder a fome e o frio
Enquanto eu choro a minha arrogância de não ter
Um tesouro
Envergonho-me de protestar por causa disso
Enquanto há tantos que já nem podem falar
E pedir abrigo.

SEGUNDO SOBRE O CACTO

Ao contrário do que se pensa
os espinhos é que têm flores.

A OUTRA LEITURA DE NARCISO

Eu me apaixonei pela minha imagem vista por ti
desde a primeira vez em que me vi e não era eu mesmo
quase não me reconheci ao olhar-me no espelho:
eu era o olhar de um outro ser.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

QUANDO VOCÊ VOLTAR

Volte para mim
Mas não para hoje:
Volte para o começo
Antes de nos vermos

Volte o tempo
Os passos para trás
Para repetir do mesmo jeito
o que nós dois fizemos

Volte a dizer seu nome
porque eu não me lembro direito

volte para não dizer o que não deveria ser dito
para antes do erro
para o primeiro momento

Volte a não ser
a não ficar
para eu desejar
de novo conhecer
a estranha
que acaba de chegar.

PRIMEIRO SOBRE O CACTO

Encontrando no agreste um cacto
terei água para a sede.
Arrancarei os espinhos
Delicadamente.

O CORREDOR

Caminho contra o concreto
Mas é amargo o gosto do chão
Não corro porque o ar me empurra
De volta ao começo
Esbarro em desencontro
Perco o rumo quando cruzo o erro
Às voltas em torno de mim mesmo

(IMEDI)ATO

Sem querer você sabe
mesmo sem saber
O que há sobre mim
mesmo sem me ver a tanto tempo
tudo é imediato:
assim que sinto
vai um vento
e te diz.

ARMISTÍCIO

Eu me faço de difícil
Apenas para dizer que eu estou disponível
O tempo todo para você
Se eu proponho me render
É que estou disposto a conquistar você
E me comprometer de vez em teus desígnios
O meu pretexto é uma armadilha
Para que você
Que pensa ter o domínio da situação
Caia em contradição
Se eu proponho um jogo
É para perder
E poder negociar uma rendição:
Eu só aceito me entregar com uma condição
Que você me leve contigo.

O MAR EM VÃO

Envelheceram as horas de espera:
Deu-se o cansaço da esperança, por fim
Os que ficaram olhando o mar
Tentando ver o navio
Que os iria levar
Voltaram para o abismo
Já não era sem tempo desistir
A falta promessa de um messias
Dom Sebastião que viria nos buscar
Era apenas uma fantasia.

DIAMANTINA

Boa parte do pouco que consegui
graças a tudo o que pus a perder
é muito menos que te entrego
Esse tesouro que te ofereço como dote
É produto do tempo que passei colhendo, embaixo do fundo do poço,
Onde há um veio de diamantes à flor do chão
Diamantes que, para os ignorantes, são apenas pedras.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

(sem título)

Tenho o coração na boca:
Por isso a dor -
E o silêncio.

domingo, 30 de agosto de 2009

AMOR NÃO CORRESPONDIDO

Do blog da portuguesa Ana Oliveira



sexta-feira, 28 de agosto de 2009

UM HOMEM LIVRE

Acostumei a ver esse muro na minha frente. Nem percebia mais que havia um portão e já tinha esquecido que um dia ele seria aberto pra mim. Do meu crime eu não vou falar nessa história, só digo que foi coisa de dez anos que fiquei preso. Eu não sabia escrever antes de entrar nessa prisão. Quem me ensinou foi o Professor, que até ano passado cumpria pena por homicídio, matou a mulher e o amante dela a tiros. Na rebelião, foi a vez de ele levar um tiro, esse de um polícia. Lembro que sempre o filho mais novo dele (o único que ainda vinha visitar o pai) trazia um livro. Ele lia pros colegas de cela. Era engraçado ver aqueles homens rudes, uns condenados por tráfico, uns por assalto à mão armada, uns por homicídio,ficarem encantados com aquelas histórias maravilhosas que o Professor contava. A minha preferida era a do Zadig, de um tal de Voltaire, contando sobre um princípe persa que viveu altas aventuras; tinha outra muito legal que era a daqueles hobbits (acho que é assim que escreve), uma história de um anel mágico que fazia muito poderoso quem o possuísse; aqueles caras, que nunca haviam tido na vida um momento de fantasia, vibravam com as histórias que o Professor trazia, tinha até torcida pelos personagens. Uma vez, o Rubão, que pegou uns anos por causa de um carregamento de maconha, teve que disfarçar as lágrimas, quando soube que Romeu e Julieta tinham morrido; "Eu matava esse padre burro, desgraçado, que idéia mais sem noção" disse ele, quando o Professor contou que a idéia de dar um remédio pra Julieta parecer como morta foi do Frei Lourenço; não adiantava dizer que era uma estratégia bolada pelo padre pra que Romeu pudesse resgatar a amada e fugir com ela: Rubão batia as mãos na mesinha, irado, xingando de tudo que era palavrão o nome do santo homem; era bacana ver aqueles caras rindo que nem crianças (acho que eles se tornavam as crianças que nunca haviam sido) quando o Professor narrava as peripécias de Dom Quixote e do fiel escudeiro Sancho Pança. O Chico do Canivete e o Malaquias até fizeram um teatro com a história; no dia da apresentação, veio o Diretor da Penitenciária pra assistir; deu até na televisão, que um grupo de presidiários estava montando uma peça baseada em Dom Quixote de La Mancha; a biblioteca do Professor serviu de cenário e a Dulcinéia era o Manuel, vestido de mulher (todos sabiam que ele era gay e que tinha umas histórias esquisitas com o Rubão). Ano passado o presídio foi de novo reportagem na televisão, mas dessa vez não era ficção. A rebelião que matou o nosso querido Professor (morreu tentando defender a biblioteca) também levou o Rubão, o Malaquias, o Manuel, o Chico do Canivete, os dois primeiros de tiro e os outros, juntos com mais cinqüenta, no incêndio do pavilhão três, o nosso. Eu escapei todo chamuscado, tive que sair pra ir pro hospital de queimados, voltei pra cela dois meses depois.Como só faltava seis meses pra acabar minha pena, fiquei quietinho lá dentro, me comportei; cuidei da biblioteca do Professor e ainda recebia a visita do filho dele, que continuava trazendo livros; essa semana, minha última na cadeia, ele trouxe o livro daquele cara que atravessou a remo o Oceano Atlântico, o tal de Klink; diz ele na dedicatória que é pra eu "ganhar o mundo, enfrentando as ondas do mar bravio"; o rapaz como que me adotou como pai, depois da morte do Professor. Hoje estou saindo, e o rapaz disse que eu podia passar uns dias na casa dele, que a esposa não se importaria, que sabia que o sogro gostava muito de mim, que era eu o melhor amigo dele.
Estou indo embora daqui: ficar preso claro que não é bom, e ser ex-presidiário deve ser pior ainda, os outros vão te olhar com aquela cara de espanto, ninguém vai te dar emprego, você só vai arrumar mulher se for na zona. Mas eu guardo boa lembrança desse lugar: vou lembrar sempre do Professor contando a história das Mil e uma Noites prum bando de caras sentados no chão do pátio do banho de sol, eles com os olhos brilhantes e sonhando com as suas princesas, com suas Sherazades que haviam ficado lá fora, do outro lado do muro da cadeia; vou lembrar sempre do dia que eu consegui pela primeira vez escrever alguma coisa, e que o Professor bateu palmas e riu alto; o guarda achou que ele tava ficando doido. "Nada não, seu guarda, é que esse menino finalmente está deixando de ser burro", disse ele. O guarda deu de ombros, olhou pra mim com uma expressão neutra e continuou a ronda pelas celas. Eu a partir daí me entusiasmei e até me inscrevi naquele programa que alguém escreve para um prisioneiro e ele responde. Foi assim que eu conheci a Rosalva; ela me escrevia todo mês, dizia que se apaixonara por mim,e que também lera os "Cem Sonetos de Amor", do Pablo Neruda; ela disse que adorou os poemas (horríveis) que eu escrevi pra ela, e respondeu com uma cartinha perfumada. Os caras da minha cela cairam de gozação em cima de mim, me chamavam de Don Juan (a história do sedutor era contada pelo professor). Perdi a conta das vezes que sonhei com ela, tinha um retrato 3x4 colado no espelhinho ao lado do meu catre; Rosalva era morena, e só de imaginar seu corpo, que eu não via, me dava alguma coisa que eu não sentia desde que eu ainda estava na rua e tinha as minhas mulheres. Da última vez que eu escrevi pra ela, eu contei que já estava pra sair, mas até hoje ela não respondeu, não sei porque. Só sei que todo dia eu enchia o saco do guarda do pavilhão três, que era e ainda é meu amigo; Getúlio, esse o nome do guarda, era o que distribuía as cartas pros presos.
Aliás, é ele que tá me chamando agora. Ele está com uma chave na mão, uma expressão zombeteira na cara, como se dissesse "Aí, seu trouxa, vai pra rua, encarar a realidade". Mas ele me dá um aperto de mão, um tapinha nas costas e me diz: "Acho que cê vai querer voltar pra cadeia quando ver como é que tá lá fora. Vai com Deus, cara".
O portão pesado se abre. Um passo e eu deixo dez anos na minha vida. Dez anos encarcerado, vendo "o sol nascer quadrado" como se diz na linguagem de malandragem. Um vira-lata fuça um monte de lixo na calçada; os carros passam deixando a fuligem do escapamento; as prostitutas se espalham, os botecos estão cheios de desocupados; uma viatura passeia por ali, dois ou três mal-encarados dentro, fazendo ronda; eu indeciso com meus primeiros passos livres em dez anos, não sei pra onde ir, não lembro mais o ônibus que vai pro meu bairro, parece que os números mudaram. Entro num bar, peço uma bebida (Getúlio, escondido, me deu uma nota de cinquenta),bebo e sinto como se nunca tivesse saboreado um belo copo de cerveja na vida. Estou livre, e não sei o que fazer. Acho que vou passear no parque, ver as mulheres, sentar num banco de praça e ficar ali só olhando, pensando na vida. Quando começa a anoitecer, vou pros lados da zona, mas o que sobrou da nota de cinquenta não paga um programa nem com a prostituta mais barata do lugar. Resolvo então procurar o caminho da casa de minha mãe, se é que ela vai querer me ver; durante esses dez anos, dá pra contar nos dedos quantas vezes ela foi me visitar - acho que ela tinha mais era vergonha de ter um filho na cadeia. No fundo, no fundo, como toda mãe, ela me amava. Pergunto daqui e dali, e descubro o número do ônibus; a rua de casa não mudou muito: ainda tem o sacolão, o boteco, e agora tem uma tal de "lan-house" onde era a Pentescostal; minha mãe sempre tentava me levar pro culto, mas quando eu ia era pra ficar zoando os hinos, botando palavrão nas letras dos cânticos de Louvor. No dia que eu fiz aquilo (não vou contar o que é), minha mãe estava no culto e foram buscar ela pra me ver na delegacia. Imagino a vergonha que ela deve ter passado, coitada, entrando no carro da polícia, no meio do povo, e o pastor dizendo pra ela que em nome de Jesus o filho seria inocentado.
Toco a campainha. Uma senhora de óculos, encurvada pela idade, andando com dificuldade, vem atender, olhando desconfiada para este homem estranho à porta; quando ela percebe que sou eu, ela me olha, enchendo os olhos de água e diz só isso: "meu filho, entra.
Tá frio aí fora".

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O SOFÁ (VERSÃO DE TEREZA, MULHER DE JÚLIO)

Tem razão: esse sofá é meio cafona mesmo. Hoje mais cedo, reparando bem nele, notei que está puído e encardido, de tanto o Chiquinho deixar cair chocolate nele. Lavar não adianta mais. O moço que eu chamei várias vezes já disse: "Dona, não tem mais jeito, não. O jeito é comprar um novo". Mas eu olho pra esse sofá e me lembro do dia que a gente foi morar junto. Lembro de você e o Pedro carregando ele escada acima no nosso primeiro apartamento; lembro que você dormiu nele aquele dia que a gente brigou a primeira vez, mas tarde da noite eu senti a sua falta na cama e vim pra sala. Eu me deitei do seu lado, você me abraçou, balbuciou alguma coisa incompreensível e voltou a dormir. Lembro de você brincando de aviãozinho com o nosso filho, você deitava no sofá e levantava o menino lá no alto, imitando o barulho do motor; a gargalhada dele dava gosto de ouvir. A gente era feliz, ou eu pensava que a gente era, Júlio. Feliz até você esquecer um papel no bolso da calça, tinha "Clara" e um número de celular escrito nele. Você tentou explicar, se complicou, e no fim teve que dizer que estava com ela já um tempo, aí que eu entendi aqueles estranhos "serões" no escritório. Me sinto meio culpada por isso, de uns tempos pra cá eu ando meio "caída", meio descuidada, já não tenho mais aquele "fogo" que eu tinha quando a gente se conheceu. Se não fosse por mim, Júlio, você não tinha tomado coragem aquele dia da calourada, até hoje estaria me olhando com aquele olhar de cachorrinho abandonado, que era até bonitinho, sabe? Além disso, essas brigas da gente já estão no limite, você tem toda razão de ficar chateado comigo, eu arranjo qualquer pretexto pra te tirar do sério, eu tenho feito de tudo pra te atazanar. Agora que você resolveu de vez pular fora, eu não tiro a sua razão. Nenhum homem gosta de mulher que fica de marcação cerrada em cima, com ciúme até dos amigos; "você está me sufocando", você diz sempre; "você não acredita quando eu falo a verdade", dói admitir, mas você tem razão. Agora que eu sei que você não está mentindo, que essa tal de Clara existe mesmo, que não é só miragem da minha imaginação ciumenta, eu estou morta de medo, nunca senti isso antes, nunca pensei que pudesse te perder, ainda mais depois de tantos anos de casados. Chorei o dia todo hoje, nem banho eu tomei, tentei dormir à tarde, e já liguei pra faculdade avisando que não vou dar aula à noite. O Chiquinho está na casa daquele amigo dele, só chega mais tarde, eles dois estão fazendo um trabalho de história, eu acho; papai vai levar ele pro sítio amanhã e só volta depois do feriado, terça-feira; pode deixar, eu converso com ele, explico direitinho, apesar de que eu é que não estou entendendo nada. Não estou precisando de dinheiro, não. Também não estou preocupada com as contas, obrigado por se lembrar delas por mim. Minha cabeça não tem espaço pra essas coisas. Tudo o que me aflige, o que me desorienta, o que me faz avançar o sinal, é essa história de eu te perder, de você ir embora, de me trocar, sua mulher a vinte anos, por uma garotinha que você pôs pra trabalhar no seu escritório, uma "vigaristazinha qualquer" que vai tomar o meu lugar na sua cama, que vai comprar outro sofá com você. Até aquela viagem que você tinha planejado pra gente, você vai com ela; aquele anel que eu te mostrei, lembra? Pois é, o que eu fiquei sabendo é que você vai comprar um mais bonito ainda pra sua amante...ai, que palavra horrível, Júlio! Parece que a sua mulher virou uma coisa sem valor, um traste inútil, que quando já não presta mais pra nada você vai lá e compra uma novinha, sem defeito, que não está gasta pelo tempo. Não quero conhecer ela, não...vê-la só vai piorar a minha situação, Júlio; eu vou me comparar a ela, vou ver por quem e porque você está me trocando. Com certeza ela é bem mais nova que eu, e está atrás de um homem bem de vida que nem você. Quando é que você a conheceu, mesmo? Foi naquele dia que você fez as entrevistas com os novos estagiários ou naquela festa na casa do professor Alfredo? Agora não importa mais, Júlio. Não precisa mais explicar nada, eu vou tentar entender, vou tentar continuar viva depois dessa. Não, que drama que nada! Eu nunca passei por isso, eu nunca te perdi, não sei como reagir, não tenho força pra isso. Já está ficando tarde, está frio lá fora; você quer aquela blusa azul da faculdade emprestada? Depois você manda o motoboy da firma me devolver lá no meu trabalho. Você não mudou nada, Júlio: continua falando que não sente frio, depois quando fica gripado, eu é que tenho que dar uma de enfermeira...ah, é...nem isso eu posso ser mais. Pede pra essa Clara cuidar bem de você, ser carinhosa que nem eu sou... Diz que você gosta de doce de abóbora com coco...eu sei fazer, aposto que ela não sabe nem fritar um ovo...vocês vão ter empregada? Hoje a Dona Iolanda não veio, o marido dela está doente, falei que ela pode ficar com ele no feriado. Não, ele está internado ainda. Ela vai te agradecer...mês passado ela até me perguntou sobre isso, se você não podia adiantar mesmo o pagamento dela, ela mostrou a receita, absurdo mesmo o preço dos remédios, ela morre de vergonha de te pedir alguma coisa... "Sei lá, o Seu Júlio pode querer me mandar embora", Quê isso, Dona Iolanda! A senhora está com a gente a tanto tempo! A senhora é que nem a avó do Chiquinho! Falando em empregada, vou fazer um cafezinho pra gente, quer? (Fica mais um pouco). A chave do Corsa? Tá ali, ó. Na mesinha, do lado do nosso retrato. Vou lá ver o café.
"Tereza, sua imbecil! Você vai deixar ele ir fácil desse jeito? O que essazinha tem que eu não tenho? Tá certo que ela é mais novinha, mas eu sei do que esse cara gosta, eu entendo ele, eu tolero os piores defeitos dele...até aquela mania de colecionar carrinhos, o que muita mulher deve achar infantil...aqueles fios brancos no cabelo deixam ele tão charmoso, aquelas rugas que já começaram a aparecer no canto dos olhos, meu Júlio é um homem tão bonito quanto no dia em que veio a primeira vez, tão novinho , tão bobinho, me perguntar qual era a diferença entre "injúria" e "difamação". Pra dizer a verdade, eu é que quis ele, eu é que tomei a iniciativa, e o coitado, tão inexperiente, tão tímido, tadinho; com certeza, a cantada fajuta na calourada foi o Pedro que ensinou pra ele...mas deu tão certo que até hoje, ou melhor, até agora, o resultado estava ao meu lado! Não vou deixar ele me ver chorando, e vou tentar disfarçar que estou tremendo que nem vara verde...vou lá pra sala, vou ser forte ao menos por enquanto. Só quando eu ouvir o barulho da chave trancando a porta do lado de fora, o elevador descendo, o motor do carro ligado e o portão fechando é que vou me desfazer em lágrimas, cair no chão que nem uma criança e vou acordar amanhã deitada no sofá, com uma olheira desse tamanho, uma dor dilacerante no peito e um vazio imenso no coração...
Vou lá pra sala... quer ver como você é forte, Dona Tereza?

Hã? Como? Como assim não vai mais? Como assim desistiu? Verdade, Júlio? Você ainda me ama? E a Clara? Sério? Vai falar com ela? Tem certeza? Meu Deus, meu Deus!Meu marido me ama!Desculpa Júlio, desculpa, meu amor, tudo que eu falei era mentira, você não é nada daquilo que eu falei! Tive tanto medo, meu amor! Não ia conseguir viver sem você!Me perdoa, pelo amor de Deus, eu te amo. Não vou brigar mais com você, nunca mais. Ai, estou tão cansada, estou exausta, Júlio. Chorei o dia todo, sabia? Nem tomei banho, você quer a sua mulher assim mesmo, cheirando mal, nem lavei o cabelo, vai ver que nem escovei os dentes...Ai, Júlio, você não mudou nada, mesmo...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O SOFÁ



Vou deixar aqui aquele sofá horrível que você quis comprar, achava que combinava com a cor das paredes. Eu não gostei, mas pra te agradar - eu sempre fazia isso - pus no meu crediário. Naquela época, o salário de um funcionário público metido a estudante de direito só dava pra isso mesmo: pra pagar a faculdade e os carnês. Nós nos amávamos tanto que nem isso era problema. Mas a gente foi morar junto, veio o Francisco, você teve que trancar e seu pai cortou sua mesada. Foi difícil convencê-lo a vir visitar o neto, mas você sabe como são os avós: o velho se encantou no ato pelo garoto. Por isso, acho que ele não vai pensar duas vezes em levá-lo pro sítio esse fim de semana e no feriado, assim o menino não vai sofrer tanto quando o pai dele for embora de casa. Depois você explica pra ele porque que papai teve que se mudar. Você sabe que a gente sempre escondeu do menino as nossas brigas, evitava falar alto perto dele. Mas eu acho que o Chico percebia quando algo não estava bem. Lembra quando a professora dele ligou pra dizer que o garoto estava chorando no banheiro da escola? Pois é: ele sabe de tudo, mas é tão inteligente que lida com isso sozinho, finge que não está nem aí, que fica na dele. O Chico é tímido que nem o pai, com quatorze anos ainda não está paquerando as meninas do colégio. Eu tinha vinte e cinco quando te conheci, no terceiro período, quando você estava dando monitoria de Direito Penal. Ficamos uns dois semestres naquele chove-não-molha, até o Pedro (sempre o Pedro) te chamar para aquela fatídica calourada. "Ah, vem você também, Júlio", disse ele. Fui a contragosto, detestava festas, ainda mais calouradas, aqueles cabeludos bêbados e drogados esgoelando aqueles rocks horríveis, mas eu estava "decidido" a de umas vez por todas abrir o jogo, pra te ganhar ou perder sem engano, que nem na música da Marina. Pois é, nove meses depois, a barriguda mais linda do mundo deu à luz um garotinho loirinho e bochechudo que batizei com o nome do meu avô materno. Vivemos no aperto uns dois anos, até eu me formar. Graças ao professor Alfredo, aliás o Desembargador Alfredo Ramos Nunes, rapidamente eu consegui arranjar um bom emprego e nome na carreira. O apartamento mudou, mudou de bairro, mudou o salário, mas o sofá dos tempos de faculdade ficou, lembra os tempos felizes, você sempre diz. Mas pra onde eu vou agora ele não vai. Porque você não vai junto. Clara até que perguntou se você não gostaria de conhecê-la, poderiam até ser amigas, não estamos virando inimigos só porque estamos nos separando, ela diz. Mas você não quer, eu aceito. Depositei o primeiro cheque da pensão do Chiquinho na sua conta, paguei a mensalidade do colégio, e se ele precisar do dinheiro pro intercâmbio diz pra ele que mês que vem eu vou abrir uma caderneta no banco. Não se preocupe com o carro; as multas e o IPVA já foram pagos, eu assumi aqueles pontos do dia que você passou o sinal, lembra? Então, acho que é isso. Tá aqui o endereço e o telefone do escritório novo, pode ser que Clara atenda, seja simpática com ela, tá? Um café? sim, eu aceito. Não, não tá fazendo frio. Pode deixar, eu tenho uma blusa no carro. Não se incomode comigo, não. A Dona Iolanda não veio hoje? E o marido dela, já saiu do hospital? Vou ver se adianto o salário dela, coitada...esses remédios, tão caros...Tudo bem, eu espero. Você viu as chaves do Corsa? Ah, sim, no lugar de sempre, ali, perto do "nosso" retrato. Você vai deixar ele ali? Vai na cozinha, parece que a água do café tá fervendo.
Enquanto espera, Júlio, para procurar as chaves do carro, olha a mesinha no canto da sala. O homem do "nosso" retrato beija e abraça uma moça linda, com uma beca de formanda. O ano é 19...o homem do retrato é ele, a moça linda é esta que está disfarçando mal as lágrimas, e o tremor das mãos na xícara de café fumegante. Ela aparece na sala, e ele a olha. Tão linda quanto nos tempos da faculdade, tão atraente quanto quando os caras da outra turma passavam olhando para trás e fazendo "comentários", o que deixava Júlio furioso de ciúmes. "Não envelheceu tanto quanto eu", Júlio pensa, "não sentiu os efeitos do tempo". "Esses cabelos loiros, que nem os do nosso filho, os olhos de um azul indescritível, iguais aos do nosso filho; mesmo com essas olheiras profundas(deve ter chorado hoje o dia todo), mesmo não tendo se penteado, mesmo com essa camiseta surrada e essas calças de moleton, a minha mulher é linda, a minha mulher é desejável ainda, já me vi muitas vezes tendo ciúmes até dos alunos dela!" "Onde é que você está com a cabeça, seu idiota? A Clara não é tão linda assim, não me ama desse jeito, não sabe quase nada de mim, não passou os apertos que nós passamos juntos; ela nem reclama quando eu ronco, quando eu e deixo a toalha molhada em cima da cama, quando eu falo que vou ficar até mais tarde no escritório; será que está certo eu deixar a minha mulher de vinte anos por causa de uma aventura que nem sei se vai dar certo, será que vale a pena apostar tudo, largar tudo por uma estranha qualquer?" "Não! Ainda dá tempo... posso ligar pra Clara, explicar tudo pra ela. Vou dizer a ela que não vou mais largar a minha esposa, que não vou mais pro Caribe, que aquele anel de diamantes vai ficar lá mesmo no Shopping. Vou falar pra ela continuar trabalhando lá na firma, se quiser. Se não, eu arranjo outro emprego pra ela com meus amigos lá do Tribunal. Se ela vai entender, é outra história. Amanhã mesmo, vou ligar pro meu sogro e falo pra ele trazer o Chiquinho pra casa antes do feriado. Digo pro Chiquinho que vou comprar aquele PlayStation que ele tanto quer, que ele volta". "Agora, será que se eu estender a mão, olhar pra minha mulher como costumava olhar quando eu ainda não namorava com ela, aquele olhar de cão vadio, será que se eu pedir perdão, dizer pra ela que eu ainda a amo, que essa tal de Clara é uma aventura inconseqüente, coisa de 'idade do lobo', ela vai me abraçar chorando, e em meio às lágrimas, vai me pedir perdão, e dizer que ainda me ama, que aqueles adjetivos impublicáveis eram só coisa de mulher ofendida, terrificada pela ameaça de perder o único homem que amara para uma "vigaristazinha qualquer"'? "Vem cá, minha amada, minha amiga, me perdoa, eu desisti de ir embora, eu não vou mais brigar com você, nunca mais, eu te amo, você me ama também, né? Então, deixa isso prá lá, vamos esquecer tudo, eu ligo depois pra Clara e explico tudo. Não chora, não... Olha aqui, vamos viajar, eu tiro umas férias, estou mesmo precisando, deixo o escritório com o Rogério, ele cuida daquilo lá pra nós. Não, não vamos levar o Francisco, não. Só eu e você, que tal? Senta aqui. Puxa, como esse sofá durou, hem? Me dá um beijo.
Apague a luz. Me abraça. Eu te amo".

(dois anos depois)

Cena: Um homem de quarenta e poucos anos, de óculos, um pouco calvo, está sentado num sofá, lendo o jornal. Ao seu lado, uma mulher loira de olhos azuis, com seus mais ou menos quarenta também, lê "Crime e Castigo" de Dostoiévski, enquanto embala um bebezinho no colo. Um rapaz de mãos dadas com uma garota morena entra e diz:

- Pai, mãe, essa é a minha namorada, a Clara.

UM ANO DEPOIS

Ontem (2o de agosto) fez um ano que fui a Faculdade de Letras pela última vez. Quem acompanha o Menino sabe o quanto eu gostava desse lugar. Sabe que lá eu fiz vários amigos, que vivi os melhores dias da minha vida; sabe dos apertos que enfrentei lá, das alegrias e tristezas que tive; sabe que eu amei e aprendi, que eu ajudei e recebi ajuda; que eu fui homenageado e execrado, que venci e que às vezes me rendi sem ter lutado. No dia em que voltei para rever tudo, um fato trágico aconteceu: o João Luciano, cadeirante, matou-se dentro de uma sala de aula, supostamente motivado pela paixão por uma professora do curso de alemão, uma de suas musas loiras. A "obcessão" pelas moças de pele clara era pública e notória no caso do João. Mas tirando essa "bizarrice", ele era um cara extraordinário, extremamente inteligente e sensível, apesar de algumas idéias um tanto quanto radicais; sentado naquele cadeira, havia um ser humano como qualquer um de nós, com todos os defeitos, mas com algumas qualidades que só ele tinha, o que o tornavam o que ele verdadeiramente era, sem a pecha do preconceito e da imbecilidade com que algumas pessoas se referiam a ele, justamente por não conhecê-lo direito. Um dos "universiotários" presentes à fatídica noite de 20 de agosto, na confusão em que se tornou o corredor, com o pessoal do SAMU, a polícia e os jornalistas, saiu-se com a seguinte pérola: "Se ele não morrer, o máximo que vai acontecer é ele ficar paralítico". Deu vontade de xingar o infeliz, mas eu fiquei calado. Não valia a pena discutir com o idiota.
Aquele dia não foi só esse episódio trágico, não. Revi várias pessoas queridas, fui celebrado e festejado por muitos, coloquei em dia várias "fofocas", matei a saudade de (quase) todo mundo. Gostaria de ter visto e de ter falado com uma certa pessoa, que não vi e com quem não falei.
Tudo isso fez um ano. Não sei se se repetirá. Não sei se as pessoas ainda estão lá.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A LÍNGUA DE NERUDA E CERVANTES

Ser funcionário público às vezes é bom. A estrutura da administração municipal oferece alguns benefícios e oportunidades, mas é preciso estar atento para não perder a chance. No meu e-mail corporativo apareceu a mensagem: "Curso de línguas estrangeiras na Secretaria Municipal Adjunta de Recursos Humanos. Inscrições de 5 a 10 de agosto." Fui conferir lá no endereço que estava no e-mail e no mesmo dia fiz uma inscrição para o sorteio das vagas. Quase nunca tenho sorte com esse negócio de sorteio, mas dessa vez eu consegui: estou fazendo o curso de Espanhol, às segundas e quartas, no Centro. A aula é de seis e quarenta às sete e quarenta da noite, horário meio puxado, difícil não chegar atrasado com o trânsito caótico de Belo Horizonte; mas no final todo esse "sacrifício" vai valer pra eu ler Neruda e Cervantes no original. O livro, "Rápido, Rápido" (custa caro!) eu consegui emprestado com a Aline, grande amiga, que aliás se estiver lendo esse post vai saber o quanto eu sou grato a ela pela prontidão e boa vontade em me ajudar nesse caso. Daqui a um ano e meio, poderei ler o El País, o Clarin, ver filmes do Almodóvar sem legendas, cantar as músicas do Carlos Galhardo com sotaque portenho, vou poder assistir aos canais de TV a cabo da Espanha.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Morte de cão emociona alunos e funcionários da UFSC


Catatau, o ‘UFSCão’, foi encontrado morto por suspeita de envenenamento.
Mascote participava de manifestações a festas no campus.

Luciana RossettoDo G1, em São Paulo


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Catatau, o ‘UFSCão’, foi encontrado morto por suspeita de envenenamento. (Foto: www.flickr.com/rafaelvilela)

A morte de um cachorro causou uma grande comoção no campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. Mascote querido de alunos e servidores, Catatau era famoso por acompanhar todos os eventos envolvendo os estudantes, mas foi encontrado morto, por suspeita de envenenamento, em um dos córregos que passam na área da universidade, na sexta-feira (24).


Rogeria D’el Rei Martins, que trabalha na área administrativa da UFSC, contou ao G1 que Catatau foi abandonado no campus em 1997, ainda filhote. Alimentado por alunos e funcionários, que contam com a ajuda de uma Ong que tenta impedir o abandono de animais no local, era considerado o cão mais popular da universidade e ganhou o apelido de “UFSCão”.

Ampliar FotoFoto: www.flickr.com/rafaelvilela

Catatau participava de vários atos no campus da UFSC (Foto: www.flickr.com/rafaelvilela)

“Catatau sempre participou de todos os atos dos alunos, de protestos a festas. Ele estava nas formaturas, nos trotes, sempre junto com os estudantes. Na saída dos alunos, ele chegava até a acompanhar os estudantes nos arredores, mas depois voltava. Com esse jeito tão carinhoso, ele conquistou todo mundo”, conta Rogéria.


Uma das últimas proezas protagonizadas por Catatau ocorreu durante a invasão do gabinete da reitoria por alunos. O cão ocupou a cadeira do reitor durante o ato e tinha apoio dos alunos para permanecer no cargo.

O estudante de Design Gráfico Rafael Vilela conta que, em abril, Catatau acompanhou um protesto de alunos contra o aumento do passe de ônibus em Florianópolis. “Éramos uns 40 alunos e saímos em passeata do campus até o centro. Caminhamos por uns 40 minutos embaixo de chuva, e o Catatau foi junto. Ele fez parte da manifestação e depois conseguiu voltar para o campus de carona com alguns alunos que estavam de carro. Tem aluno que já levou o Catatau até para a praia”, disse.

Apesar da suspeita de assassinato, a morte de Catatau não poderá ser investigada. “Não temos câmeras no local onde ele foi encontrado, não teríamos como descobrir quem o jogou no córrego”, disse Rogéria.

Enterro

Catatau foi enterrado ainda na sexta-feira perto do monumento Pira da Resistência, que foi erguido pelos próprios servidores. Para Rogéria, o local vai se tornar um ponto de peregrinação de alunos. “Alguém já deixou um vaso com flores brancas para ele. Era um cachorro muito especial”, disse.


segunda-feira, 27 de julho de 2009

É VERDADE, ANA!

Sim, Ana o filme Alice no País das Maravilhas estréia em abril de 2o09!

sábado, 25 de julho de 2009

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS (2)

Trailer teaser já está na Internet. Filme estréia no Brasil em abril (rimou!) de 2010.
Assista no Youtube:

sexta-feira, 24 de julho de 2009

FALHA NOSSA

Pessoas! Alguns links de filmes aqui no Menino não estão funcionando. Vou consertá-los aos poucos. Enquanto isso...

sábado, 18 de julho de 2009

PROVAVELMENTE AMOR

Em mim, algo se revolve
Como se fosse uma dor
Sem nome
Mas que me provoca a sensação de uma leveza enorme
Como se eu voasse
Não sei como se chama
A causa
Nem sequer sei se ela me conhece.

NARCISO INSEGURO

Se eu não sou eu,
Quem é este no espelho,
Espelho meu?

NÃO SE PREOCUPE, ESTOU BEM




Lili voltou das férias em Barcelona ansiosa para contar as novidades para seu irmão gêmeo Löic. Mas quando chega em casa, num distante mas agradável subúrbio parisiense, fica sabendo que Löic foi embora, depois de mais uma violenta discussão com o pai, com o qual nunca se dera bem. Lili, ao contrário, é muito ligada ao irmão, se desespera ao saber do seu desaparecimento, cai em depressão e se recusa a comer. Quando recebe uma carta do irmão, Lili decide ir procurá-lo, sem muitas pistas de onde ele possa estar. Lili só sabe que Löic caiu na estrada com seu violão e a cada dia escreve de um lugar diferente, sempre aproveitando a ocasião para declarar seu ódio ao pai, ao qual se refere com termos bastante "indelicados". Este "Não se Preocupe, Estou Bem" narra como uma "mentira caridosa" aquela que todos nós contamos para poupar um ente querido de uma decepção, de um sofrimento o qual julgamos que tal pessoa seja incapaz de suportar, traz conseqüências às vezes trágicas.

Não Se Preocupe, Estou Bem (Je Vais Bien, Ne T’en Fais Pas, França, 2006, 100 min) Direção e Roteiro: Philippe Lioret. Com Mélanie Laurent, Kad Merad, Isabelle Renauld. Baseado na obra de Olivier Adam.
Assista ao trailer:

sexta-feira, 17 de julho de 2009

GRANDE RESPONSABILIDADE

Patrícia McQuade escreve: "...então trate de escrever coisas bonitas porque sou exigente demais." E ela me chama de modesto. Bom, eu poderia dizer que me orgulho da minha modéstia (risos). Mas que ela não me ouça: não sei se o que escrevo é bonito. Apenas digo o que penso e sinto, minhas impressões sobre as coisas do mundo, minhas idéias (não vou tirar o acento dessa palavra tão cedo!). Se essas "mal traçadas linhas" têm alguma beleza, se tocam o sentimento de alguém, que bom. Ok, Sra. McQuade, tudo que eu escrever daqui em diante será para obedecer a sua "ordem" e às suas "exigências". Espero que você goste.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

COMEÇA A EXPECTATIVA






Alice no País das Maravilhas na versão de Tim Burton está em fase de pós-produção e chega aos cinemas americanos em março de 2010. Johnny Depp é o Chapeleiro Maluco. A australiana Mia Wasikowska faz o papel de Alice. Michael Sheen, que foi Tony Blair no filme "A Rainha" é o Coelho Branco. Outros grandes astros que participam do elenco são Chistopher Lee (lembram dele? É o Saruman de O Senhor dos Anéis) que faz o monstro Jabberwock e Stephen Fry, que é o gato de Cheschire.

O site Filmofilia (em inglês) traz fotos e mais detalhes da produção.


quarta-feira, 15 de julho de 2009

UM ACHADO, UM "ACONTECIMENTO"

Olha o que veio a mim por acaso: o blog "Acontecimentos" do poeta Antônio Cícero, que nos meios musicais é o irmão de Marina Lima, e é autor das melhores letras da cantora. Siga esse link:

terça-feira, 14 de julho de 2009

CAROS AMIGOS

Eu não sabia que deveria moderar os comentários às postagens do meu blog. Vou ver se consigo desativar essa função, porque tenho certeza de que todos os eventuais visitantes são gente boa. Portanto, não precisam de moderação: todos são bem vindos para comentar tudo o que eu escrevo. Por causa dessa minha "ignorância" de como funciona esse ambiente virtual, só agora fiquei sabendo que Patrícia McQuade, Thiago Assis e Aline Rabelo fizeram recentemente menções elogiosas ao meu modesto e mal traçado Menino Homem que - diga-se de passagem - estava (está) meio jogado de lado. A desculpa de sempre é o "tempo", a correria da vida, que nos impede de parar para observar alguma sutileza, que nos priva da capacidade de se surpreender e de se emocionar com o mundo, preocupados que ficamos em "viver". Não tenho andado muito "inspirado" ultimamente, e todas as minhas tentativas de escrever não deram em nada. O incentivo que faltava vem na forma da maneira carinhosa e generosa com que essas pessoas (não deixarei de citar você, Paulinha) se referem a mim nos seus comentários. Como o mais impiedoso crítico do meu próprio trabalho, nunca acho que ele tem tanto valor artístico. Preciso da abalizada avaliação de pessoas sensíveis e inteligentes como essas que citei para que eu veja qualidades na minha "produção poética". Certa vez eu escrevi assim a uma pessoa querida: "Fico muito feliz de saber que você gosta do que eu escrevo, e por acreditar que outras pessoas também possam gostar; só isso, como já disse, já é mais do que eu poderia esperar, tendo em vista que eu pensava escrever só para mim, falando do meu próprio mundo, das coisas de dentro, das minhas inquietações e sentimentos. Quando percebo que mais de uma pessoa pensa dentro do meu texto, que ele cabe em outros contextos, isso significa que o que sinto e penso toca o pensamento e o sentimento de outras pessoas. Acredito que este seja o maior reconhecimento buscado por todos aqueles que escrevem: ser a voz que fala ao coração de outras pessoas". A ela e a todos eu prometo que vou procurar onde deixei a minha inspiração. Deve estar na mesma gaveta onde eu guardei os planos, as promessas, os projetos, os rascunhos, as paixões da minha vida. O espaço da minha mesa está cheio de processos administrativos, autos de infração, planilhas e relatórios, de fatos da vida cotidiana e perecível. Durante todo o dia eu convivo com as mais diversas maneiras dos motoristas dessa cidade de criar problemas e arranjar transtornos. O trânsito é realmente um caos, as pessoas estão cada vez perdidas e mais agressivas na metrópole. Vence quem sobrevive, quem está protegido dentro das suas carcaças metálicas brilhantes. Por tratar o tempo todo com isso, temo estar ficando meio que anestesiado, não me indignando, não esboçando mais qualquer reação, ficando indiferente, tratando pessoas como números de processo ou dados estatísticos. A salvação é que eu tenho as palavras e através delas eu posso expressar isto, externar a minha angústia, compartilhá-la com pessoas como vocês, que ainda não endureceram o coração.

(SEM TÍTULO)

Coisas minhas que não sei onde estão
Não estão perdidas
Se não as tenho agora comigo
É que meu coração
também não está aqui.

ALGO JÁ ANTIGO

Hoje me lembro de antes
eu era isso
Fui o que sou no tempo
em que vivo
Não é de agora que me sinto
como se jamais tivesse visto
o que nunca esqueci.