quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

(sem título)

O leite derramado
tem gosto de pó.

sábado, 29 de janeiro de 2011

sem título

Que seja fantasia isto que eu sinto
Mesmo que me cause dor e alegria
Que só me faça sentido sendo ilusão
Coisas reais foram inventadas pela imaginação:
Antes de existir avião
Ícaro voava.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

É BOM VIVER

A última vez que escrevi aqui (olhem no post anterior) foi em setembro do ano passado. Não que nesse período não me tenha acontecido nada digno de ser registrado, pelo contrário. Os últimos meses foram agitados e movimentados em minha vida, no mau e (mais no) bom sentido. O intervalo entre setembro e aqui, no que diz respeito a este blog, não foi aplicado em manter as postagens em dia por um único e simples motivo, que é um dos sete capitais: preguiça. Eu poderia justificar-me dizendo que tive dificuldades em me conectar, já que fiquei um bom tempo sem internet em casa, e gastar rios de dinheiro nas lan-houses por aí não era definitivamente uma boa idéia; falta de assunto, de novidades, de altas aventuras, também não foi por isso que não tive a boa vontade de sentar na frente de um computador e digitar meninohomem.blogspot.com. Foi por pura preguiça mesmo. Indolência. Se eu estou perdoado por isso, espero que ainda me seja permitido voltar a escrever nesse espaço. De setembro até aqui, como eu já falei, várias coisas aconteceram. Meu país agora é pela primeira vez governado por uma mulher; o crime organizado no Rio de Janeiro recebeu um duro golpe das forças de segurança do Estado; o povo se alimenta melhor, tem mais empregos, compra mais coisas, bugingangas eletrônicas, carros, sonha mais e mais realiza seus sonhos. Há um clima de euforia genaralizada, uma esperança que pode ser vista no olhar de todos. Mas ainda há tragédias, as naturais e as provocadas pela mão do homem, há a miséria, a mancha da violência, há o caos no trânsito, que atrasa a vida e às vezes a interrompe para sempre. Ainda se pode ver naqueles mesmos olhares a falta absoluta de esperança - é uma contradição, sim - a tristeza em ver o trabalho de uma vida sendo levado literalmente por água ou morro abaixo. Ainda há quem não pode comprar, mesmo o indispensável para apenas sobreviver, ainda há quem não tem o direito de sonhar. Quanto a mim, o mais relevante é que entrei na fase dos "enta", da qual eu provavelmente não vou mais sair, a menos que um dia ter mais de cem anos seja possível pra todo mundo. Estou me surpreendendo cada vez mais em como a minha filha está crescendo, em como ela é sensível, bonita e inteligente e cada vez mais (no bom sentido) esperta. O meu trabalho continua a mesma coisa, as pessoas nunca vão parar de ser multadas no trânsito e sempre será necessário notificá-las dos seus erros e exigir delas a reparação imposta pelo Estado. Falo em trânsito, falo da loucura que é circular por esta cidade, e eu mesmo fui "vítima" dele, o trânsito: a duas semanas, numa tarde de quinta-feira como esta, eis que eu estava na rua, em uma grande avenida da região Norte de Belo Horizonte, quando começou uma chuva torrencial. Do outro lado da rua, havia um abrigo de ônibus: querendo manter-me minimamente seco, a minha reação foi correr desembestado para baixo do abrigo. Só que entre o abrigo e eu havia o movimento dos carros. Não deu outra: um deles me pegou. A minha sorte é que o motorista teve o reflexo de frear bem em cima da minha pessoa. Eu fui atigindo lateralmente pelo automóvel (nem deu pra ver a marca). O saldo disso tudo foi, além do susto, uma escoriação no abdomen e ferimentos na mão esquerda, além de uma noite passada na emergência de um hospital público, onde eu vi todo o sofrimento humano: baleados, esfaqueados, politraumatizados, gente em ataque cardíaco, todo tipo de dor. Coisa que impressiona, choca, mas ensina que a vida é apenas uma e que tem muito valor. Já estou totalmente recuperado. E o carro escapou ileso. Bom isso já é passado.
Sinto falta de algumas coisas do meu passado recente, pessoas que eu gostaria de rever estão distantes, projetos que abandonei no meio do caminho eu queria retomar, se é que eles ainda possam ser retomados. Todo dia eu quero ir de novo aos lugares em que vivi, todo dia eu quero reencontrar e reatar os meu laços, os meus vínculos, os meus afetos. Todo dia eu digo que "daqui pra frente tudo vai ser diferente", mas aquele motivo lá do início deste texto me empurra pra trás e me faz ficar parado onde estou. Quem sabe agora?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

EARLY MORNIN' #2

A cidade se esquece de tudo que acontece à noite
Os que sonham se levantam para trabalhar
O fogo vermelho do batom
torna-se cinza

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Peanuts

Charles M. Schulz (1922-2000)
publicado originalmente em 28/09/1963



Linus: Trabalhar com as mãos é uma boa terapia...você tira da cabeça uma porção de problemas...toda vez que eu fico deprimido, eu construo castelos de areia...tenho estado bastante deprimido ultimamente! (Tradução por Olavo Duarte)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Primavera

(Cassiano/Sílvio Rochael)

Quando o inverno chegar
Eu quero estar junto a ti
Pode o outono voltar
Eu quero estar junto a ti

Porque (é primavera)
Te amo (é primavera)
Te amo, meu amor

Trago esta rosa (para te dar)
Trago esta rosa (para te dar)
Trago esta rosa (para te dar)

Meu amor...
Hoje o céu está tão lindo (vai chuva)
Hoje o céu está tão lindo (vai chuva)

domingo, 26 de setembro de 2010

Amor : Tática e estratégia

Mario Benedetti (1920-2009)
tradução por Maria Teresa Almeida Pina

Minha tática é
olhar-te
aprender como tu és
querer-te como tu és

minha tática é
falar-te
e escutar-te
construir com palavras
uma ponte indestrutível

minha tática é
ficar em tua lembrança
não sei como nem sei
com que pretexto
porém ficar em ti

minha tática é
ser franco
e saber que tu és franca
e que não nos vendemos
simulados

para que entre os dois
não haja cortinas
nem abismos

minha estratégia é
em outras palavras
mais profunda e mais
simples

minha estratégia é
que um dia qualquer
não sei como nem sei
com que pretexto
por fim me necessites.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

MAIS BENEDETTI

MARIO BENEDETTI (1920)

POEMAS DO ESCRITÓRIO (1953-1956)

Tradução por Júlio Luís Gehlen

SÓ ENQUANTO ISSO

Você volta, dia de sempre,
rompendo o ar justamente onde
o ar tinha crescido feito muros.

Você porém nos ilumina brutalmente
e na simples náusea da sua claridade
sabemos quando nos cairão os olhos,
o coração, a pele das recordações.

Claro, enquanto isso
há frases, há pétalas, há rios,
há a ternura como um vento úmido.
Só enquanto isso.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Amor, de tarde

MARIO BENEDETTI (1920)

POEMAS DO ESCRITÓRIO (1953-1956)

Tradução por Júlio Luís Gehlen

AMOR DE TARDE

É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são quatro
e termino a planilha e penso 10 minutos
e estico as pernas como todas as tardes
e faço assim com os ombros para relaxar as costas
e estalo os dedos e arranco mentiras.

É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são cinco
e eu sou uma manivela que calcula juros
ou duas mãos que pulam sobre quarenta teclas
ou um ouvido que escuta como ladra o telefone
ou um tipo que faz números e lhes arranca verdades.

É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são seis.
Você podia chegar de repente
e dizer “e aí?” e ficaríamos
eu com a mancha vermelha dos seus lábios
você com o risco azul do meu carbono.

Da “Antologia Poética”, São Paulo, Record, 1988

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

ENCANTAMENTO

(o primeiro para o zero)

Com os olhos longe
E o coração perdido
o pensamento fora daqui
Me sinto num sonho sem estar sonhando
Mas sem acreditar no que estou vivendo.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A ILHA PERDIDA

Para A.

Onda de um mar distante
Quebra numa terra
Dantes, muito antes, navegada
Torna, feita maré,
à praia,
Corais, embarcações, sereias:
Mensagens esquecidas.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

ESSE É O CARA

Djavan vai lançar o primeiro disco como interprete em 30 anos de carreira. Leia aqui a matéria do UAI sobre o lançamento de "Ária".
Uma das pérolas garimpadas dos clássicos da música brasileira para o álbum é esta "Luz e Mistério", de Beto Guedes e Caetano Veloso, cuja belíssima letra segue abaixo:

Luz e mistério
por Beto Guedes e Caetano Veloso

Oh! Meu grande bem
Pudesse eu ver a estrada
Pudesse eu ter
A rota certa que levasse até
Dentro de ti

Oh! meu grande bem
Só vejo pistas falsas
É sempre assim
Cada picada aberta me tem mais
Fechado em mim

És um luar
Ao mesmo tempo luz e mistério
Como encontrar
A chave desse teu riso sério

Doçura de luz
Amargo e sombra escura
Procuro em vão
Banhar-me em ti
E poder decifrar teu coração

És um luar
Ao mesmo tempo luz e mistério
Como encontrar
A chave desse teu riso sério

Oh grande mistério, meu bem, doce luz
Abrir as portas desse império teu
E ser feliz

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ai que inveja do Arnaldo Antunes...

Se eu soubesse mesmo escrever, eu escreveria assim...simples e lindo...

Se Tudo Pode Acontecer
Arnaldo Antunes

Se tudo pode acontecer
Se pode acontecer qualquer coisa
Um deserto florescer
Uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer
E acontecer de ser você
Um cometa vir ao chão
Um relâmpago na escuridão
E a gente caminhando de mão dada de qualquer maneira
Eu quero que esse momento dure a vida inteira
E além da vida ainda de manhã no outro dia
Se for eu e você
Se assim acontecer. . .
Se tudo pode acontecer
Se pode acontecer qualquer coisa
Um deserto florescer
Uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer
E acontecer de ser você
Um cometa vir ao chão
Um relâmpago na escuridão
E a gente caminhando de mão dada de qualquer maneira
Eu quero que esse momento dure a vida inteira
E além da vida ainda de manhã no outro dia
Se for eu e você
Se assim acontecer

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Menina de 7 anos paga férias na Disney vendendo limonada nos EUA


Uma menina de 7 anos de idade vai passar férias na Disney World com a mãe, nos Estados Unidos, depois de conseguir quase US$ 2 mil vendendo limonada em uma barraquinha.No último dia 29 de julho, Julie Murphy montou sua barraquinha ajudada pela mãe, Maria, em um festival de artes em Portland. A barraquinha, entretanto, foi interditada por autoridades sanitárias do condado de Multnomah, porque a menina não tinha licença para operar como restaurante.Os fiscais afirmaram que a licença custava US$ 120 (cerca de R$ 210) e advertiram que se ela se recusasse a suspender as vendas, a multa seria de US$ 500 (cerca de R$ 870).O copo de limonada estava sendo vendido por Julie a US$ 0,50 (R$ 0,87).

Segundo informações do jornal local The Oregonian, alguns visitantes do festival sugeriram que ela distribuísse a bebida em troca de doações, mas os fiscais não aceitaram a proposta, e a menina acabou deixando o local às lágrimas.O caso causou comoção entre os americanos, despertando um debate na internet e gerando críticas ao excesso de burocracia.Na quinta-feira passada, a menina, que mora em um subúrbio de Portland, recebeu um pedido de desculpas oficial do condado pelo ocorrido.O diretor do conselho administrativo do condado, Jeff Cogen, declarou à imprensa americana: "Há uma razão para as leis existirem", mas "uma menina de 7 anos de idade vendendo limonada em uma barraquinha não equivale a um adulto vendendo burritos em uma carrocinha".Cogen afirmou ainda que a venda de limonada por crianças em frente de suas casas é uma tradição americana, lembrando que ele vendia limonada quando pequeno e seus filhos o fazem até hoje.Com a notoriedade do caso, Julie foi procurada por estações de rádio e TV locais. Uma dessas estações de TV e uma loja de pneus patrocinaram uma nova barraquinha para a menina vender limonada durante uma tarde.Ao todo, Julie conseguiu US$ 1.838,31 (cerca de R$ 3.220) com a venda da bebida, e decidiu usar o dinheiro para passar férias na Disney com sua mãe, no fim do mês."A gente aprecia muito o que todo mundo fez", disse sua mãe, Maria Fife ao The Oregonian."Ela abriu sua barraquinha de limonada, teve uma boa experiência, e isso é tudo o que ela queria, em primeiro lugar. E ela também conheceu algumas pessoas bastante legais."

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

PAPEL

Se eu rabisco o que sinto
Então o que sinto é um risco?

quinta-feira, 22 de julho de 2010

AMAZING GRACE

(para A. )

Você é tão bonita
Quanto Louis Armstrong
cantando As Time Goes By.

(ou seria o Jobim em Eu Sei que Vou te Amar?)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

LOVE AFFAIR

Não chegamos às vias de fato -
Mas quase nos amamos:
Ao ponto do estranhamento.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

OS OUTROS NOMES DO AMOR

Engraçado a dor que que não é doença
Estranha ânsia que não é de urgência
E a calmaria aflita pelo mar
O que é isso que estou sentindo agora
Algo que eu não queria querer
E que me foi roubado
mas eu nunca tive?

A NOITE DO PRIMEIRO DIA

Não, não sei ainda,
pela manhã conversamos sobre isso
Por hora, agora, não diga nada
Saberemos os dois o que aconteceu
Mas só depois
Por enquanto não fazemos idéia
do que está havendo entre nós
Surpreendidos que estamos
Nem vamos ainda viver para o dia seguinte
O que não vivemos.

(...)

Acontece às vezes,
e quando acontece pára o tempo:
Não dura muito mais que um instante
Mas traz ao momento presente todo o passado
Basta uma palavra para dizê-lo:
Saudade.